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casepaga

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30.08.14

AS 10 CIDADES MAIS FRIAS DO MUNDO


antonio garrochinho

Top 10 Cidades mais frias do Mundo.

Brrrrr, que frio! Caso você goste de chuva, vento, neve e muito, muito, muito gelo, esta viagem é fundamental para o seu ideal de vida: fazer um tour pelo circuito dos lugares habitados mais gelados do planeta. Eu, particularmente, prefiro as inóspitas planícies gélidas de Oymyakon aos mosquedos do Caribe. Aproveite e corra para conhecer estas aconchegantes cidades polares, antes que afundem no Apocalipse do Permafrost!(*)

10) International Falls, Minesota, EUA.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo - International Falls

Apesar de ostentar a temperatura média anual de 2 ºC, pode-se dizer que esta cidade é a menos "refrescante" desta lista. A pequena acidade de 7 mil habitantes é considerado o local mais frio entre os 48 estados americanos, exceto o Alaska, famosa pelos seus bonecos gigantes de neve.

9) Astana, capital do Cazaquistão.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo: Astana

Com seu recorde de temperatura de -52 ºC, Astana pode ser considerada a segunda capital federal mais fria do mundo. Construída no meio do nada do norte do Cazaquistão, foi transformada em capital em 1997 para estancar a influência russa naquela região. Digamos que ela é uma Brasília versão cossaca, com sua arquitetura futurista e a encampação dosideais utópicos modernistas.

8) Murmansk, Oblast, Rússia.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo - Murmansk

A capital do Estado de Oblast localiza-se a 200 Km ao norte do círculo polar ártico. É considerada a maior cidade glacial do mundo, com cerca de 300 mil habitantes. Curiosamente, no inverno o seu porto é a única alternativa de acesso por água a São Petersburgo (situada a 1450 Km ao sul), porque é o único porto polar que não congela, graças à passagem de uma corrente quente vinda do Atlântico Norte. Você pode se impressionar um pouco com a palavra "quente", que, no entanto, não alivia a temperatura extremamente inóspita daquela cidade, tanto que o seu número de habitantes vem progressivamente diminuindo ao longo dos anos. Quem se habilita a viver num ambiente com temperaturas médias anuais abaixo de zero?


7) Barrow, Alasca, EUA.
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É considerada a cidade mais fria do Alasca, portanto dos EUA, com temperatura média de -20, cujas mínimas podem alcançar facilmente os -53 ºC.

6) Norilsk, Sibéria, Rússia.


Norilsk é ambém conhecida como uma das cidades mais sujas do mundo, devido à exploração intesiva do minério paládio. O seu inverno é tão rigoroso, que o simples atravessar de uma rua conjunto residencial se torna uma questão de vida e morte, graças ao tufão infernal de ventos de mais de 100 km/h. Veja no vídeo abaixo porque o espírito cooperativo em Norilsk é muito mais importante do que no resto do mundo.
» Norilsk na Wikipedia. 
via 


5) Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
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Localizada nas estepes mongóis a cerca de 1.300 metros acima do nível do mar, Ulaambaatar, também conhecida como Ulan Bator, é considerada a capital federal mais fria do planeta, com temperaturas que em todo o inverno raramente ultrapassam os -16 ºC.


4) Snag, Yukon, Canada.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo - Snag
O pequeno vilarejo localizado ao lado da auto-estrada que liga o Canada ao Alasca registrou em em 3 de fevereiro de 1947 a menor temperatura continental das Américas: -63 ºC. Não é de se admirar que a sua população permanente seja composta de 8 a 10 almas, provavelmente de esquimós (inuites). Em Snag você aprende que é possível achar o uma pessoa até 15 minutos depois dela ter passado, só seguindo o rastro da sua respiração congelada.


3) Yakutsk, Yakutia, Rússia.
Como pode alguém viver num lugar em que o simples ato de respirar pode ser uma aflição? A extensa e lucrativa exploração de minérios é a resposta atualmente e antigamente, a localidade servia de prisão política (Gulag) para os inimigos do Estado durante a vigência do antigo regime Soviético.
» Yakutsk, a cidade mais fria do mundo, onde as aulas só são suspensas 55ºC negativos! 

Apesar do frio intenso, Yakutsk é uma das inúmeras cidades ameaçadas pelo derretimento do Permafrost, provocado pelo aquecimento global: VEJA VÍDEO

2) Verkhoyansk, Yakutia, Rússia.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo - Verkhoyansk
A terceira menor cidade da Rússia, com população de 1.434 habitantes, é um dos pontos do mundo com maior variação de temperatura, oscilando entre médias de 16,9 em julho a -45,8 ºC em Janeiro. É uma das representantes do seleto grupo chamado “Polo do Frio” do hemisfério norte, composto pelas localidades de Verkhoyansk e Oymyakon.
» Pole of Cold.


1) Oymyakon, Yakutia, Rússia.
Top 10 Cidades mais frias do Mundo - Oymyakon

Nada supera em termos de frio esta localidade situada ao leste na Sibéria. Lá foi registrado em janeiro de 1926 o recorde mundial de temperatura em local permanentemente habitado: -71,2 ºC. Curiosamente, a água do rio Indigirka não congela o ano inteiro, devido às nascentes de águas termais. Seu solo, que fica congelado o ano inteiro, é chamado de Permafrost.
» A localidade habitada mais fria do mundo.

(*) O Apocalipse do Permafrost.
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Por falar em permafrost, uma das maiores tragédias provocadas pelo aquecimento global é a deflagração do derretimento deste tipo de solo congelado. Ora, todas as cidades relacionadas aqui se assentam em cima desta terra dura como concreto, que abrigou pâtanos há milhões de anos. No momento em que descongela, o permafrost se torna esponjoso, o que provocará o afundamento de todas as construções e estradas feitas em cima dele. Afora o desaparecimento das cidades árticas, o fim do permafrost representará a liberação sem precedentes de gases de efeito estufa na atmosfera.

Por isto a extinção do Permafrost é uma das maiores ameaças que pairam sobre o futuro da humanidade, pois na lista de ecossistemas frágeis, ele é um dos mais ameaçados:
» Galeria da destruição dos Ecossistemas frágeis.

Norilsk, Sibéria, Rússia. - VÍDEO


www.blogpaedia.com.br

30.08.14

ALGUMAS ESTÁTUAS SURPREENDENTES


antonio garrochinho

1. "A Estátua Anónima" - Budapeste, Húngria

 


2. "Le Passe-Muraille" - Paris, França

 


 

3. "The Freemont Troll" - Seattle, EUA

 

 

4. "Os Mantos da Consciência" - Áustria, Grécia, Itália, República Checa 

 

 

5. "Virgin Mother" - Londres, Inglaterra

 

 

6. "The Haserot Angel of Lakeview Cemetery",  Cleveland, EUA

 



 

7.  "Tower Babies", Praga, República Checa

 

 

8. "Black Aggie" - Washington DC, Estados Unidos da América

 

 

9. "Cerný Wenceslas" - Praga, República Checa 

 

 

10.  "The Awakening" - Washington DC, EUA 

 

 www.curiosityflux.com

30.08.14

Se víssemos o que se passa nos corredores Por trás do ecrãs, a tv não tem o colorido que nos mostra a toda a hora. Só raramente vem a público o que se passa nos gabinetes e estúdios.


antonio garrochinho

Se víssemos o que se passa nos corredores

Por trás do ecrãs, a tv não tem o colorido que nos mostra a toda a hora. Só raramente vem a público o que se passa nos gabinetes e estúdios.
Uma prática lamentável dos canais portugueses é não responderem ou empatarem propostas de programas durante anos. Por causa disso, Vítor Espadinha partiu a loiça e divulgou uma carta aberta chamando "aldrabão" ao director-geral da SIC, Luís Marques.
Outro exemplo: o produtor de ‘O Velho do Restelo’, o novo filme de Manoel de Oliveira, disse ao ‘Expresso’ ter pedido apoio da RTP, mas esta "nem sequer respondeu". Neste caso, é mais grave porque seria obrigação estrita da RTP apoiar o projecto.
Haverá dinheiro para tantos canais de informação no cabo? Há tempos, Ana Lourenço disse que fazia o seu noticiários na SICN só com um jornalista estagiário. E mais pela noite dentro nem estagiário há. Por trás das câmaras, não é informação, é ficção.
Sete canais cabo a discutir o jogo Boavista-Benfica. Ao mesmo tempo. Percebe-se a táctica de captação de audiências: enquanto as esposas vêem ‘Dança com as Estrelas’, os esposos refugiam-se na conversa da bola. Mas cabo monotemático? É triste.
Os baldes de água fria continuarão até a moda passar. Sendo entretenimento, não tendo qualquer relação com a causa social, esgotarão a solidariedade como um fósforo queimado: ajudaram, mas a causa, que merece apoio continuado, cairá no esquecimento.
Um dia, Sinatra bateu com a porta a meio de uma gravação: queriam que gravasse música ruim. O produtor defendia que "quanto pior, melhor", vendia mais e, infelizmente, muitas vezes assim é. ‘Água de Mar’, novela da RTP 1, prova-o, com razoável audiência. 
CM

30.08.14

Ana Gomes: Participação de Barroso nos submarinos 'é maior do que se pensa'


antonio garrochinho

Ana Gomes: Participação de Barroso nos submarinos 'é maior do que se pensa'  

"Qual foi a participação do doutor Durão Barroso?", perguntou a eurodeputadaFoto: MIGUEL A. LOPES/LUSA
Ana Gomes: Participação de Barroso nos submarinos 'é maior do que se pensa'
A eurodeputada Ana Gomes lembrou ontem que no caso dos submarinos houve condenações na Alemanha mas não em Portugal, declarando que a comissão de inquérito sobre o assunto pode ajudar a esclarecer o assunto.
"Há alemães condenados na Alemanha por corromperem pessoas em Portugal no quadro deste contrato de aquisição de submarinos e em Portugal não se sabe quem são os corrompidos", declarou a eurodeputada do PS.
Ana Gomes foi ouvida durante mais de quatro horas e meia na comissão parlamentar de inquérito à compra de equipamentos militares, incluindo os submarinos.
Na ocasião, e respondendo ao deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo, Ana Gomes admitiu que gostava de ouvir o primeiro-ministro de então, Durão Barroso, na comissão parlamentar.
"Qual foi a participação do doutor Durão Barroso?", perguntou a eurodeputada, tal como João Semedo, que lembrou que o BE pediu a audição de Barroso na comissão, que foi chumbada, e disse ter contudo a "profunda convicção" de que o ainda presidente da Comissão Europeia terá "inevitavelmente" de se explicar, seja "presencialmente ou por escrito".
Perante os deputados da comissão parlamentar de inquérito aos Programas de Aquisição de Equipamentos Militares (EH-101, P-3 Orion, C-295, torpedos, F-16, submarinos, Pandur II), a parlamentar europeia disse, no começo, que "há suspeitas de corrupção" que envolvem Paulo Portas enquanto ministro da Defesa, mas admitiu que errou em algumas acusações que fez ao actual vice-primeiro-ministro.
Ainda sobre Barroso, Ana Gomes diz que é "muito importante" perceber melhor como foi o comportamento do então primeiro-ministro, já que, advoga, o seu "envolvimento é muito maior do que parece ser" na compra dos submarinos.
Posteriormente, e instada pela deputada do CDS-PP Cecília Meireles a falar sobre eventuais situações envolvendo dirigentes do PS, e se delas falaria como fala actualmente de figuras de outros partidos, Ana Gomes diz que se tal ocorrer não fugirá a revelar ilegalidades.
"Estarei na linha da frente para expor essas pessoas", disse. 
Lusa/SOL

30.08.14

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa


antonio garrochinho

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa
por Thierry Meyssan *


Todos notaram a contradição dos que qualificavam, recentemente, os membros do Emirado islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam hoje com as suas barbaridades no Iraque. Mas, se este discurso é incoerente em si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos, mesmo se estão sempre às ordens de Washington. Thierry Meyssan revela os bastidores da politica dos E.U. através do caso pessoal do senador John McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data do Califa Ibrahim.
" Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano, o Pentágono não interveio e deixou o emirado islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco suscetíveis de afetar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria»24. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre."


Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?

John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato malsucedido à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir acções secretas em nome do seu governo.

Na altura do ataque «ocidental» eu estava na Líbia, aí, pude consultar um relatório dos  serviços de inteligência exterior. Nele podia ler-se que a Otan tinha organizado, a 4 de fevereiro de 2011, no Cairo, uma reunião para lançar a «Primavera Árabe» na Líbia e na Síria. De acordo com o documento, ela tinha sido presidida por John McCain. O relatório detalhava a lista de participantes líbios, cuja delegação era liderada pelo n.º 2 do governo da época, Mahmoud Jibril, que mudara abruptamente de campo, à entrada para esta reunião, para se tornar o chefe da oposição no exílio. Lembro-me que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard- Henry Lévy, embora oficialmente este nunca tenha exercido qualquer função no seio do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, entre as quais uma enorme delegação de Sírios vivendo no exterior.

No final desta reunião, a misteriosa conta do Facebook Syrian Revolution 2011 (Revolução síria 2011 - ndT) convocava protestos diante do Conselho do Povo (Assembleia Nacional) em Damasco, a 11 de fevereiro. Embora esta conta pretendesse à época ter mais de 40.000 followers (seguidores) apenas uma dúzia de pessoas responderam ao seu apelo, para os flashes dos fotógrafos e de centenas de polícias (policiais-Br). A manifestação dispersou pacificamente, e os confrontos não começaram senão mais de um mês depois, em Deraa1.

Em 16 de fevereiro de 2011, uma manifestação que se desenrolava em Benghazi, em memória dos membros do Grupo islâmico combatente na Líbia2, massacrados em 1996 na prisão de Abu Selim, degenerou em tiroteio. No dia seguinte, uma segunda manifestação, desta vez em memória das pessoas mortas ao atacar o consulado da Dinamarca por alturas das caricaturas de Maomé, degenerou igualmente em tiroteio. Nesta precisa altura, membros do Grupo islâmico combatente na Líbia vindos do Egito, enquadrados por indivíduos encapuçados e não identificados, atacavam, simultaneamente, quatro bases militares em quatro cidades diferentes. No seguimento de três dias de combates e atrocidades, os contestatários lançaram o levantamento da Cirenaica contra a Tripolitânia3; um ataque terrorista que a imprensa ocidental apresentou, mentirosamente, como uma «revolução democrática» contra «o regime» de Muammar el-Qaddafi.

Em 22 de fevereiro, John McCain estava no Líbano. Ele encontrou-se lá com membros da Corrente do Futuro (o partido de Saad Hariri), que encarregou de supervisionar as transferências de armas para a Síria, por conta do deputado Okab Sakr4. Depois, deixando Beirute, ele inspecionou a fronteira síria e escolheu as aldeias, nomeadamente Ersal, que deveriam servir como base de retaguarda para os mercenários na guerra que se preparava.

As reuniões presididas por John McCain foram, claramente, o ponto de partida de um plano, previsto de longa data, por Washington; plano que previa o ataque da Líbia e da Síria simultaneamente pelo Reino Unido e pela França, de acordo com a doutrina da «liderança de bastidores» e o anexo do Tratado de Lancaster House, de Novembro de 20105.

A viagem ilegal à Síria, em maio de 2013

Em maio de 2013, o senador John McCain dirigiu-se, ilegalmente, para perto de Idleb, na Síria, através da Turquia, para aí se reunir com líderes da «oposição armada». A sua viagem só foi tornada pública após o seu regresso a Washington6.

Esta deslocação fora organizada pela Syrian Emergency Task Force (Força-Tarefa de Emergência Síria) a qual, contrariamente ao seu título, é uma organização sionista dirigida por um funcionário palestino da AIPAC7 .

Nas fotografias difundidas então, nota-se a presença de Mohammad Nour, porta-voz da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nosra, quer dizer da Al-Qaida na Síria), que havia sequestrado e detinha 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz8. Interrogado sobre a sua proximidade com os sequestradores, membros da al-Qaida, o senador alegou não conhecer Mohammad Nour, o qual se teria infiltrado por sua própria iniciativa nesta (tomada de - ndT) foto [a foto está no sítio em referência -NE].

O caso deu um grande sururu, e as famílias dos peregrinos raptados apresentaram queixa, perante a justiça libanesa, contra o senador McCain por cumplicidade no sequestro. Por fim, foi alcançado um acordo e os peregrinos foram libertados (liberados-Br).

Vamos supor que o senador McCain tenha dito a verdade, e que ele tenha sido explorado por Mohammad Nour. O objeto da sua viagem, ilegal, à Síria era o de se encontrar o estado-maior do Exército sírio livre. Segundo ele, esta organização era composta «exclusivamente por sírios», combatendo pela «sua liberdade» contra a «ditadura alauíta» (sic). Os organizadores da viagem publicaram esta fotografia para confirmar a reunião.

Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército sírio livre, também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército sírio livre são «moderados nos quais se pode confiar» (sic).

Ora, desde 4 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos (Rewards for Justice - Recompensas para Justiça - ndT). Uma recompensa, podendo ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura9. No dia seguinte, 5 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comité de sanções da Onu como membro da Al-Qaida10.

Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) – ao mesmo tempo que pertencia, ainda, ao estado-maior do muito «moderado» Exército sírio livre. Ele reivindicou o ataque às prisões de Taj e de Abu Ghraib no Iraque, de onde fez evadir entre 500 e 1.000 jihadistas que se juntaram à sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações, quase simultâneas, em outros oito países. Em cada ocasião os jihadistas evadidos juntaramse a organizações combatendo na Síria. Este caso é de tal maneira estranho que a Interpol emitiu uma nota, e pediu a assistência dos 190 países membros 11.

Pela minha parte, eu sempre afirmei que não havia, no terreno, nenhuma diferença entre o Exército sírio livre, a frente Al-Nosra, o emirado islâmico, etc. Todas estas organizações são formadas pelos mesmos indivíduos, que mudam de bandeira permanentemente. Quando se reivindicam ser do Exército sírio livre eles arvoram a bandeira da colonização francesa, e só falam em derrubar o «cão Bachar». Quando eles dizem pertencer à Frente Al-Nosra carregam a bandeira da Al-Qaida, e declaram espalhar o seu Islão (Islã-Br) no mundo. Finalmente, quando eles se dizem do Emirado Islâmico brandem, então, o estandarte do Califado, e anunciam que limparão a região de todos os infiéis. Mas, qualquer que seja a etiqueta, eles cometem os mesmos crimes: estupros, torturas, decapitações, crucificações.

No entanto, nem o senador McCain, nem os seus acompanhantes da Syrian Emergency Task Force (Força Tarefa de Emergência síria) forneceram ao Departamento de Estado as informações, em sua posse, sobre Ibrahim al-Badri, nem reclamaram o acesso a esta recompensa. Nem sequer informaram, também, o Comité anti-terrorista da Onu.

Em nenhum país do mundo, qualquer que seja o seu regime político, se aceitaria que o líder da oposição esteja em contacto directo, amigável e público, com um tão perigoso terrorista, procurado por toda a gente.

Quem é pois o senador McCain?

Mas além de John McCain não ser simplesmente o líder da oposição política ao presidente Obama, também ele é, na realidade, um dos seus altos-funcionários!

Ele é, com efeito, presidente do International Republican Institute (Instituto Republicano Internacional - ndT) (IRI), o ramo republicano do NED/CIA 12, desde Janeiro de 1993. Esta pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente Ronald Reagan para estender certas atividades da CIA, em cooperação com os serviços secretos britânicos, canadianos (canadenses-Br) e australianos. Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter-governamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da Secretaria de Estado.

E, é por isso, porque é uma agência conjunta dos serviços secretos Anglo-saxões, que vários Estados no mundo lhe interditam toda a actividade no seu território.

A lista das intervenções de John McCain por conta do departamento de Estado é impressionante. Ele participou em todas as revoluções coloridas dos últimos vinte anos.

Para não dar senão alguns exemplos, ele preparou, sempre em nome da «democracia», o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo Chávez na Venezuela 13, o derrube (derrubada - Br) do presidente constitucional Jean- Bertrand Aristide no Haiti 14, a tentativa de derrube do presidente constitucional Mwai Kibaki no Quénia 15 e, mais recentemente, a do presidente constitucional ucraniano Viktor Yanukovych.

Não interessa em que estado do mundo, logo que um cidadão toma a iniciativa de derrubar o regime de outro Estado, ele poderá ser felicitado se nisso for bem sucedido, e que o novo regime se mostre um aliado, mas ele será severamente condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas para o seu próprio país. Ora, nunca o senador McCain foi inquietado pelas suas ações anti-democráticas, em estados onde ele fracassou e que se voltaram contra Washington. Na Venezuela, por exemplo. É que, para os Estados Unidos John McCain não é um traidor, mas sim um agente (secreto).

E um agente que dispõe da melhor cobertura que se possa imaginar: ele é o opositor oficial de Barack Obama. Nesta condição ele pode viajar para qualquer lugar no mundo (é o senador norte-americano que mais viaja), e encontrar-se com quem ele quiser sem temer. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington ele promete-lhes mantê-la, se a combatem, ele atira a responsabilidade para cima do presidente Obama.

John McCain é conhecido por ter sido prisioneiro de guerra no Vietname (Vietnã -  Br), durante 5 anos, e disse aí ter sido torturado. Ele foi vítima de um programa concebido não para extrair informações, mas para incutir uma confissão. Tratava-se de transformar a sua personalidade, para que ele fizesse declarações contra o seu próprio país. Este programa, estudado a partir do exemplo coreano, para a Rand Corporation, pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas conduzidas em Guantánamo, e em outros lugares, pelo Dr. Martin Seligman 16. Aplicado sob George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros permitiu transformar vários de entre eles, para fazer, assim, verdadeiros combatentes ao serviço de Washington. John McCain, que havia “rachado” no Vietname, compreende-o, pois, perfeitamente. Ele sabe como manipular, sem escrúpulos, os jihadistas. 

Qual é a estratégia dos norte-americana com os jihadistas no Levante?

Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Após terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao Koweit como um caso interno iraquiano, eles aproveitaram o pretexto deste ataque para mobilizar uma vasta coligação (coalizão - Br) contra o Iraque. Porém, devido à oposição da URSS, eles não derrubaram o regime, contentaram-se sim em controlar a zona de exclusão aérea.

Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para contrabalançar a influência do Comité para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram de novo o país e, desta vez, derrubaram o presidente Hussein. Evidentemente, John McCain era um dos principais responsáveis do Comité (Comitê - Br). Depois de ter entregue, durante um ano, a uma sociedade privada o cuidado de pilhar o país 17, eles tentaram parti-lo em três Estados separados, mas tiveram que renunciar a isso diante da resistência da população. Eles tentaram de novo em 2007, com a resolução Biden-Brownback, mas voltaram a falhar 18. Daí, a estratégia atual, que tenta conseguir isso por meio de um ator não-estatal: o Emirado Islâmico.

A operação foi preparada durante muito tempo, antes mesmo da reunião de John McCain com Ibrahim al-Badri. Assim, correspondência interna do Ministério catariano das Relações exteriores (Negócios Estrangeiros - Pt), publicada pelos meus amigos James e Joanne Moriarty 19, mostram que 5. 000 jihadistas foram formados, às custas do Catar, na Líbia da Otan em 2012, e que 2,5 milhões de dólares foram atribuídos, na mesma altura, ao futuro califa.

Em janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta, na qual votou, em violação do direito internacional, o financiamento até Setembro de 2014 da Frente Al-Nosra (Al-Qaida), e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante 20. Embora se desconheça, com detalhe, o que foi realmente acordado a quando desta sessão, revelada pela agência de notícias britânica Reuters 21, e que nenhum média (mídia - Br) norte-americano ousou passar devido à censura, é altamente provável que a lei inclua uma secção sobre o armamento e treino de jihadistas.

Envaidecida com este financiamento norte-americano, a Arábia Saudita reivindicou, no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido)22.

O Emirado Islâmico representa uma nova etapa no mercenarismo. Ao contrário dos grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na Chechénia, junto a Osama bin Laden, ele não constitui uma força de reserva, mas é um verdadeiro exército em si. Ao contrário dos grupos precedentes, no Iraque, na Líbia e na Síria, agrupados pelo príncipe Bandar Ben Sultan, eles dispõem de sofisticados serviços integrados de comunicação, que fomentam o alistamento, e de administradores civis, formados nas grandes escolas ocidentais capazes de tomar em mãos, imediatamente, a administração de um território.

Armas ucranianas, chispando de novas, foram compradas pela Arábia Saudita, e comboiadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani, a quando de uma reunião de grupos jihadistas em Amã, a 1 de Junho de 2014 23. O ataque conjunto ao Iraque, pelo Emirado Islâmico e pelo Governo regional do Curdistão, começou quatro dias mais tarde. O emirado islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto o governo regional do Curdistão aumentava o seu território em mais de 40%. Fugindo das atrocidades dos jihadistas, as minorias religiosas deixaram a zona Sunita, preparando assim a via para a partição do país em três.

Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano, o Pentágono não interveio e deixou o emirado islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco suscetíveis de afetar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria»24. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre.

Numerosa desinformação circula a propósito do Emirado Islâmico e do seu califa. O jornal quotidiano Gulf Daily News fingiu que Edward Snowden havia feito revelações neste sentido 25. No entanto, verificação feita, o antigo espião norte-americano não publicou nada a este respeito. O Gulf Daily News é publicado no Barein, um Estado ocupado por tropas sauditas. O artigo visa, apenas, limpar a Arábia Saudita e o príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.

O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários do século XVI europeu. Eles conduziam guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes de um lado, às vezes de outro. O Califa Ibrahim é um condottiere moderno. Embora esteja às ordens do príncipe Abdul Rahman, (membro do clã dos Sudeiris), não seria de espantar que ele continue a sua epopeia na Arábia Saudita, (após um breve desvio no Líbano, ou seja no Koweit), e parta assim o bolo da sucessão real, favorecendo o clã dos Sudeiris contra o príncipe Mithab (filho, e não irmão, do rei Abdallah).

John McCain e o Califa

Na última edição do seu magazine, o Emirado Islâmico consagrou duas páginas a denunciar o senador John McCain, como «o inimigo» e «o cruzado», recordando o seu apoio à invasão norte-americana do Iraque. Temendo que essa acusação passasse em claro nos Estados Unidos, o senador emitiu, imediatamente, um comunicado qualificando o Emirado de «o mais perigoso grupo terrorista islâmico no mundo»26.

Esta polémica destina-se apenas a distrair a «galeria». Nós bem gostaríamos de acreditar nela..., se não existisse esta fotografia( no início desta matéria), de maio de 2013 [A fotografia está no sítio em referência e tem a seguinte legenda: John McCain na Síria. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da porta, ao centro, Mohammad Nour. - NE].


Thierry Meyssan


Tradução Alva


* Thierry Meyssan é um intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).



Notas:

1 Nós retransmitimos os relatos da imprensa garantindo que a manifestação de Deraa foi um protesto após a prisão e tortura de liceais que haviam grafitado slogans (eslogans-Br) hostis à República. Ora, muitos colegas têm tentado estabelecer a identidade desses alunos e encontrar as suas famílias. Nenhum o conseguiu, as únicas testemunhas que falaram fizeram-no para a imprensa britânica, mas de maneira anónima, logo inverificável. Agora, estamos convencidos de que este evento nunca existiu. O estudo dos documentos, contemporâneos, sírios mostra que a manifestação foi na realidade sobre um aumento para os salários e pensões dos funcionários públicos. Ela obteve a aprovação do governo. Neste ponto, nenhum jornal mencionou estes estudantes, tendo esta história sido inventada pela Al-Jazeera, senão, duas semanas mais tarde.

2 Os membros do Grupo islâmico combatente na Líbia, quer dizer, da Al-Qaida na Líbia, haviam tentado assassinar Mouamar el-Kadhafi por conta do MI 6 britânico. O assunto foi revelado por um oficial da contra-espionagem britânica, David Shyler. Cf «David Shayler: "J’ai quitté les services secrets britanniques lorsque le MI6 a décidé de financer des associés d’Oussama Ben Laden"» («David Shayler: “Deixei os serviços secretos britânicos quando o MI 6 decidiu financiar os associados de Osama bin Laden”»-ndT), Réseau Voltaire, 18 novembre 2005.

mafarricovermelho.blogspot.pt

30.08.14

EMBORA NÃO CONCORDE PONTUALMENTE COM ALGUMAS QUESTÕES, ESTÁ AQUI UMA BOA REFLEXÃO - A ténue fronteira que separa o anti racismo do racismo a tolerância da intolerância.


antonio garrochinho

A ténue fronteira que separa o anti racismo do racismo a tolerância da intolerância.

"Os condescendentes


Findo o serviço militar obrigatório, escaqueirada a escola pública em nome da pedagogia, sobram os 
estádios e os centros comerciais onde os jovens se cruzam independentemente da origem social e étnica
Centenas de jovens afluíram ao Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, numa acção convocada através do facebook.
O objetivo seria manifestarem-se contra o racismo.
Geraram-se confrontos entre grupos rivais de jovens.
Algumas lojas fecharam com receio de desacatos.
A PSP foi chamada.
Dois jovens foram acusados de resistência e coação a agente de autoridade.
Duas raparigas foram acusadas de posse de arma branca utilizada durante o roubo de um telemóvel e uns óculos a uma menor.
Um rapaz de 15 anos sofreu ferimentos provocados por uma chave de fendas.
Cinco agentes ficaram feridos.

Tendo em conta a juventude dos intervenientes, a presença da polícia (que, note-se, acabou com cinco agentes feridos) deve ser agradecida por todos, a começar pelas famílias dos jovens, pois nestas idades a distância entre um desacato e uma tragédia é uma linha finíssima.
Mas há um problema: os jovens seriam maioritariamente negros e aí o desacato deixa de ser um desacato e torna-se um problema racial.
Os polícias deixam de ser forças da ordem e tornam-se agentes da opressão.
Os lojistas deixam de sofrer prejuízos e passam a símbolos da intolerância.
Os jovens deixam de ser jovens em idade parva e com propensão para o disparate como são todos os jovens daquela idade para se tornarem em vítimas da discriminação e, por fim mas não por último, os jornalistas redigem as notícias sobre os factos com pinças não venha de lá a acusação de racismo.
Por último vem como não podia deixar de ser o comunicado da associação que diz lutar contra o racismo. No caso a SOS Racismo.

O comunicado a denunciar o racismo é hoje uma peça incontornável.
Segundo os jornais os acontecimentos do Vasco da Gama valeram a seguinte apreciação ao SOS Racismo: “São inúmeras as situações de aglomerados de jovens por todo o país, em particular em período de férias de verão, são vários os furtos em espaços públicos e muitas as discussões e altercações que não ocasionam nunca nenhuma intervenção policial tão violenta como aquela ocorrida no Centro Comercial Vasco da Gama. E portanto, a única diferença deste caso residiu na cor da pele dos jovens que ali se encontravam.” Não sei onde viu em Portugal o SOS Racismo as inúmeras situações em que centenas de jovens confluem para um mesmo local, se envolvem em confrontos, alguns com armas brancas – saberão que uma chave de fendas pode matar? – e praticam furtos até que cansaditos desistem. Mas o que posso garantir é que qualquer pai ou mãe ao saber que os seus filhos estão envolvidos numa situação dessas espera que a polícia chegue a tempo de evitar o pior.

Mas o SOS Racismo vai mais longe e pergunta ainda “O que leva a PSP a impedir a mobilidade de jovens e a utilizar a força, só por serem negros?”
E com esta pergunta chegamos ao cerne da questão: por eles serem negros a intervenção foi diferente ou deveria ter sido diferente? O que me parece que está subjacente a esta denúncia de racismo é na verdade uma reivindicação de racismo sob a forma de uma tolerância condescendente. Aliás se os envolvidos não fossem negros provavelmente estaríamos a discutir como foi possível que a PSP deixasse que um jovem fosse agredido com uma chave de fendas ou como é que as famílias não os conseguiram impedir de tais comportamentos. Muito menos alguém perante desacatos provocados por grupos de brancos ou de asiáticos se indignaria com o facto de a polícia procurar controlar as movimentações de jovens brancos ou asiáticos pois sendo brancos ou asiáticos os envolvidos dirigir-se a outros grupos seria uma absurda perda de tempo.

Mas como são negros não se discute nada disso. E espera-se de facto que os factos sejam olhados com uma condescendência que não é mais que racismo encapotado.
Esta condescendência é profundamente nociva pois na verdade ela fomenta a segregação. Ao contrário de muitas das pessoas que vivem exaltadas a denunciar discriminações e se indignam quando se pede que a polícia intervenha perante este tipo de comportamentos, utilizo os transportes públicos e matriculei os meus filhos em escolas públicas. Vi e vejo serem toleradas atitudes erradas, agressivas e ofensivas simplesmente porque são praticadas por ciganos, negros ou aquilo que em França se vai conhecendo como “les petis blancs”. Vi e vejo as pessoas a mudarem de lugar no autocarro, a mudarem os filhos de escola, a deixarem de ir a uma determinada praia… Nunca se interrogaram porque são negros os seguranças dos supermercados nos bairros da periferia? Porque a eles ninguém os acusa de racismo quando proíbem um determinado cliente de entrar ou lhe pedem para abrir o saco antes de sair.
Sacrificado o serviço militar obrigatório no altar do alegado pacifismo, escaqueirada a escola pública em nome da pedagogia, não sobram além dos estádios de futebol e de alguns centros comerciais muitos espaços onde os filhos dos portugueses se cruzem independentemente da sua origem social e étnica.

O fim do marxismo levou a uma substituição das questões de classe pelos assuntos identitários. E assim, onde antigamente estava a luta de classes estão agora as comunidades. E tal como há quarenta anos os filhos da burguesia gritavam contra a sociedade de classes e as universidades se enchiam de estudos sobre a relação entre o marxismo e a linguística, o marxismo e a filosofia, o marxismo e a história, agora outros, nascidos em berço igualmente acomodado, estudam as questões de identidade das diferentes comunidades que paulatinamente substituíram a noção de classes. Em torno da luta contra a exclusão real e imaginada de cada uma das várias comunidades em que a sociedade está fraccionada foi criado todo um imaginário, uma linguagem, um acervo de teses, congressos, seminários, estudos, observatórios e um mundo de activismos.

A abordagem a cada comunidade varia no conteúdo mas nunca na forma: a comunidade é identificada enquanto tal sempre que é vítima, os seus comportamentos mais excêntricos ou mesmos contrários às leis do país – veja-se o caso dos direitos das mulheres entre os muçulmanos ou a expressão do ódio racial entre algumas dessas comunidades – são tidos como naturais ou uma reacção aos dominadores. Os actos condenáveis ou criminosos de alguns dos membros da comunidade são apagados. E assim chegamos ao paradoxo de os mesmos jornais que denunciam os problemas das famílias ciganas no acesso à habitação omitirem a condição cigana de alguns dos envolvidos na exploração de alcoólicos e doentes mentais. Se isto não é racismo o que é racismo? Aliás não me recordo que as associações que lutam contra o racismo tenham denunciado a presença de famílias ciganas na captação de mão-de-obra escrava para o sector agrícola em Espanha. Mas nunca é tarde para se fazer o primeiro comunicado.
Fechar os olhos perante incidentes como aqueles que tiveram lugar no Vasco da Gama pode levar a que se acentue ainda mais a clivagem entre os portugueses que se vêem como habitantes do seu país e aqueles que são apresentados como membros das comunidades. A condescendência que alguns tendem a confundir com a tolerância mas que não passa de uma banalização do desprezo é nesta matéria uma péssima companhia."


apodrecetuga.blogspot.pt

30.08.14

Surto de ebola chega ao Senegal e tumultos ocorrem na Guiné


antonio garrochinho

Surto de ebola chega ao Senegal e tumultos ocorrem na Guiné



Epidemia do vírus já matou pelo menos 1.550 pessoas

Carl de Souza/AFP
Membro da Médicos sem Fronteiras alimenta criança com ebola, em Serra Leoa
Membro da Médicos sem Fronteiras alimenta criança com ebola, em Serra Leoa
Dacar/Conacri - O Senegal se tornou o quinto país do oeste da África a ser vitimado pelo pior surto de ebola da história nesta sexta-feira, e tumultos irromperam em áreas remotas do sudeste da vizinha Guiné, onde o nível de infecção está aumentando rapidamente.

No sinal mais recente de que a epidemia do vírus, que já matou pelo menos 1.550 pessoas, está saindo de controle, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que os casos de Ebola aumentaram na semana passada no ritmo mais rápido desde seu surgimento em março na Guiné.
A epidemia vem desafiando os esforços de contenção dos governos, o que levou os Médicos Sem Fronteiras, instituição que encabeça o combate à doença, a pedir que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o encargo de detê-la.
Incluindo as mortes, mais de três mil pessoas foram infectadas na Guiné, Libéria e em Serra Leoa, e o surto também chegou à Nigéria, onde seis pessoas morreram.
O primeiro caso do Senegal é um estudante da Guiné.
A ministra senegalesa da Saúde, Awa Marie Coll Seck, relatou que o homem buscou tratamento em um hospital da capital, Dacar, na terça-feira, ocultando o fato de que teve contato próximo com vítimas em seu país.
Exames no Instituto Pasteur de Dacar revelaram que ele tem a febre hemorrágica.
Ele estava sob vigilância das autoridades de saúde da Guiné por causa de seu contato com vítimas do Ebola, mas fugiu para o Senegal, disse Seck.
Moradores de Dacar reagiram com raiva e preocupação. “Quando você está doente, por que sai de seu país para exportar a doença para outro?”, indagou um radialista.
Em uma tentativa de evitar a disseminação do vírus, na semana passada o Senegal proibiu voos de e para três dos países afetados e fechou sua fronteira com a Guiné.
O país, que é um epicentro de agências da ONU e entidades de assistência, também recusou a liberação de voos de ajuda da ONU para nações contaminadas com o Ebola, o que as equipes humanitárias afirmam estar restringindo sua capacidade de reagir à epidemia.
Catástrofe
O diretor do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) alertou nesta sexta-feira para uma “catástrofe” se uma ação emergencial não for adotada de imediato para reverter a tendência de aumento de casos.
“Há tempo de evitar uma catástrofe, mas só se ações imediatas e urgentes forem tomadas em todos os níveis”, afirmou Tom Frieden em Freetown, capital de Serra Leoa.
Na quinta-feira a OMS declarou que o número real de casos de Ebola pode ser quatro vezes maior que o relatado, e que um total de 20 mil pessoas podem ser infectadas antes do fim do surto.
Na cidade de Nzerekore, no sudeste remoto da Guiné, tumultos irromperam na noite de quinta-feira por causa dos boatos de que os assistentes de saúde contaminaram pessoas com Ebola, disseram moradores e uma autoridade da Cruz Vermelha.
O governo de Guiné afirma ter a epidemia sob controle, mas o número de casos disparou no sul, uma tendência que o governo atribui ao fato de as pessoas estarem cruzando as fronteiras com Libéria e Serra Leoa.
A OMS disse que conta com 490 milhões de dólares para debelar o surto ao longo dos próximos nove meses, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou que pode fornecer mais apoio aos países afetados.
“Estamos trabalhando em um pacote de financiamento, sujeito à aprovação do comitê executivo do FMI, para ajudar Libéria, Guiné e Serra Leoa a mitigarem os impactos sócio-econômicos da epidemia", afirmou o representante da entidade na Libéria, Charles Amo-Yartey, nesta sexta-feira.