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casepaga

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16.09.17

O CARANGUEJO DO COCO TEM A FORÇA DO LEÃO


antonio garrochinho

Novas medições apontam que a força da garra esquerda de um caranguejo do coco é igual a força da mordida de um leão. Então, por que esse crustáceo possui tanta força?

O pesquisador Dr. Shin-ichiro Oka, da Okinawa Churashima Foundation em Motobu, Japão, teve sua mão comprimida pela garra do animal duas vezes (sem ossos quebrados). “Embora fosse apenas por alguns segundos, me senti no inferno. O caranguejo do coco é muito tímido e não ataca as pessoas sem provocação”, disse ele.
A garra mais forte, segundo os pesquisadores, possui uma força de cerca de 1.765 newtons, pior do que ter o dedo esmagando por uma geladeira. Para comparação, a mordida de um leão possui força de 1.315 newtons e alguns de seus molares pode triturar com 2.024 newtons.
Como a força de preensão aumenta com o tamanho do corpo, caranguejos maiores do que aqueles medidos no estudo podem superar a força da mordida da maioria dos predadores terrestres. Dr. Oka e colegas publicaram o trabalho no ano passado na revista PLOS ONE
Os caranguejos do coco, entretanto, começam a vida do tamanho aproximado de um grão de arroz. Os ovos fertilizados eclodem na água do mar e se deslocam para o Oceano Pacífico ocidental e Índico.
Os caranguejos acabam retornando à terra, onde passam a maior parte de suas longas vidas,  50 (ou talvez 100) anos. No entanto, as fêmeas têm de se arriscarem na borda do oceano cada vez que depositam a próxima geração de ovos.
Os jovens caranguejos desenvolvem uma garra esquerda poderosa, acessível para desmembrar o que encontram. Os caranguejos podem quebrar cocos, mas o trabalho “leva horas”, diz Jakob Krieger, da Universidade de Greifswald, na Alemanha. Entretanto, abrir um caranguejo vermelho, sua presa preferida, leva segundos.
Os caranguejos de coco não apenas pescam caranguejos vermelhos, mas também os caçam na Ilha de Natal no Oceano Índico, diz Krieger.
Somente o mais estrito vegetariano ignoraria os cerca de 44 milhões de caranguejos vermelhos da região. Krieger assistiu um caranguejo de coco de baixa potência agarrar e lutar contra sua presa. O caranguejo vermelho abandonou seu membro preso e fugiu. Mas o pequeno caranguejo do coco jantou perna de caranguejo.
Veja:



Fonte: New Scientist





noticiaalternativa.com.br



16.09.17

A greve da enfermagem e a agitação miguelista


antonio garrochinho



A necessidade de criar ruído sobre as notícias que chegam no campo económico levam esta direita ao desespero e à insensatez.
Os mesmos partidos que destruíram as carreiras médicas e de enfermagem são hoje os instigadores da contestação dos enfermeiros, atirados para uma greve selvagem, ilegal e imoral, onde acabarão por ser vítimas.
Nem todas as greves são legítimas e nem todas as reivindicações são realistas. A greve dos enfermeiros foi convocada pelas televisões e, pasme-se, assumiu a sua liderança a… bastonária, a enfermeira que declarou conhecer vários casos de eutanásia praticada por médicos e acabou a dar o dito por não dito, e não distingue a Ordem dos sindicatos.
As televisões fizeram o frete à direita, ao serviço de quem se encontram, com a greve de enfermeiros, à semelhança do que fizeram com as manifestações dos colégios, a cheirar a incenso e orientadas das sacristias, exibindo permanentemente as roupinhas amarelas. Precisavam da greve, agora que se lhe acabaram os incêndios.
Esta greve ilegal não cumpriu sequer os serviços mínimos a que legalmente é obrigada, para não falar da ética, dignidade profissional e respeito pela vida humana.
Hoje mesmo, um amigo meu do foro da oncologia, com metástases disseminadas, foi ao CHUC a fazer uma TAC para a decisão terapêutica urgente. A ausência de enfermeiros impediu o exame que, segundo julgo, no caso da oncologia, é considerado um serviço mínimo que a lei exige. E que não foi assegurado.
A surpresa e indignação com a afirmação de um partido com que simpatizo, ao afirmar que esta greve é «justíssima», colide com a exigência de duplicação dos vencimentos, a realização da greve enquanto o sindicato negociava com o Governo e que, envolvido na onda provocada pelas televisões, acabou a envolver-se no movimento que a bastonária dirige.
Digam-me honestamente se é ser de esquerda, exigir uma duplicação dos vencimentos, num país onde uma sábia e honrada gestão dos recursos tem tirado o País do fosso onde a direita o enterrou.
Esta greve tem um vago cheiro à dos camionistas do Chile, no tempo de Allende, mas são diferentes os tempos e a latitude. Sou contra esta greve laranja, apesar de reconhecer e saber bem quanto mal o governo PSD/CDS fez ao SNS e aos profissionais de saúde.
Muitos enfermeiros não sabem! Não sabem, sequer, que o PSD e o CDS votaram contra a criação do SNS.

16.09.17

PCP diz que valor de 600 euros de salário mínimo "não é irrealista"


antonio garrochinho


Durante uma visita à fábrica de confeção de roupa interior Huber Tricot, em Santa Maria da Feira, em que lamentou o facto dos funcionários ganharem apenas "dois euros acima do salário mínimo nacional" e acumularem demasiado serviço em banco de horas, Jerónimo de Sousa opôs-se a que a valorização salarial em estudo pelo Governo tenha como limite os 580 euros.
"É fácil perceber que o ritmo [de aumento salarial] que o Governo pretende não é correspondente com aqueles que são os anseios profundos de centenas de milhares de trabalhadores portugueses que vivem com o SMN, o que dificulta a sua vida e tem uma ligação muito estreita com o seu futuro de pensionista - porque, tendo salários baixos, teremos sempre reformas baixas", explicou o líder dos comunistas.
O aumento do SMN, que é atualmente 557 euros, para 580 euros é, portanto, "insuficiente" para o PCP.
"Não é tão irrealista uma proposta de 600 euros, suportável pela generalidade das empresas", afirmou Jerónimo de Sousa.
Por isso mesmo, acrescentou, "é que baixar a fasquia a esse nível pode não ajudar a esta luta justa".
Para os comunistas, a valorização do SMN constitui-se assim como "uma questão incontornável" da agenda governamental, a par de "outras propostas ao nível da fiscalidade, da legislação laboral e das reformas e pensões".
"É preciso continuar a avançar e não a parar e recuar", realçou o secretário-geral do PCP, reconhecendo que, nessa estratégia, a ajuda do BE terá a devida influência.
"Não estou a ver o Bloco ser contra esta proposta, mas, se baixa a fasquia, o próprio poder negocial fica altamente condicionado", concluiu.


www.noticiasaominuto.com

16.09.17

VOCÊ SABIA QUE NO JAPÃO NÃO HÁ LUZ VERDE NOS SEMÁFOROS ?


antonio garrochinho

A primeira vez que alguém viaja ao Japão se dá conta das diferenças dessa cultura. A coisa fica mais interessante quando descobrimos que não só as ruas de suas cidades não costumam ter nomes, quando você vai cruzar a rua, os semáforos não têm a luz verde internacional que indica avançar e, em mudança, as pessoas cruzam quando o semáforo fica azul (ou algo muito parecido ao azul). E não, não é uma ilusão. Uma dica: tem a ver com sua língua.

Porque o Japão não tem luz verde em seus semáforos (e como sabem quando cruzar)
O normal na maior parte do mundo é que ao conduzir, o vermelho seja indicação de parada e o verde de avanço. De fato, é uma constante tão fundamental que está qualificada no direito internacional sob a Convenção de Viena sobre Sinais de Trânsito, ratificada por 74 países. Obviamente, não pelo Japão.

Historicamente, no idioma japonês existe uma sobreposição significativa em o que se refere ao verde (midori) e azul (ao). Em primeiro lugar, na língua japonesa não existia uma palavra para a cor verde até um milênio atrás, quando se foi introduzido "midori". Até então, o verde e o azul eram a mesma cor, "ao". No entanto, isto não conseguiu mudar os costumes, os japoneses evitavam utilizar o midori.

Neste sentido, o azul -uma das 4 cores tradicionais estabelecidas originalmente no idioma japonês junto ao vermelho, preto e branco- seria o que em outras culturas descreveriam como verde.

Como em muitos idiomas, o verde em japonês pode ser utilizado em referência a algo novo ou inesperado. Por exemplo, enquanto em inglês um empregado novato pode ser chamado de "green" (verde), em japonês seria "aonisai", o que significa mais ou menos "azul de dois anos de antiguidade". O mesmo ocorre com a verdura ou as maçãs, para os japoneses são "azuis".
Porque o Japão não tem luz verde em seus semáforos (e como sabem quando cruzar)
Portanto, os semáforos são tratados de maneira similar. Na literatura oficial e na conversa, o semáforo "verde" é referido como ao, em vez de midori. Isto ocorre desde que os semáforos foram introduzidos pela primeira vez no Japão na década de 1930, uma época em que os sinais de trânsito empregavam uma clara luz verde, ainda que a prática comum era fazer referência a luzes "azuis".

De fato e para evitar males maiores, atualmente as leis de trânsito japonesas requerem que os que buscam tira a carteira de motorista façam um exame da vista específico, entre outras coisas, para verificar a capacidade de distinguir entre vermelho, amarelo e azul.

Também existiu controvérsia. Com os anos, este sistema referindo-se oficialmente às luzes verdes como azuis pôs o governo japonês em uma posição difícil. Os linguistas discordavam do uso contínuo de "ao" porque era uma cor claramente verde. O país enfrentou certa pressão para cumprir com os costumes do trânsito internacional com respeito aos semáforos.
Porque o Japão não tem luz verde em seus semáforos (e como sabem quando cruzar)
O que ocorreu? Que em 1973 chegaram a um consenso. O governo ordenou que os semáforos usassem um azul o mais esverdeado possível, para seguir justificando o uso da nomenclatura "ao". Desta forma, enquanto o japonês moderno permite uma delimitação clara entre o azul e o verde, o conceito do azul ainda carrega traços do verde e segue firmemente enraizado na cultura e idioma japoneses.

Por verdade, nos últimos anos cidades como Tóquio começaram a instalar alguns sinais de trânsito que vêm equipadas com LEDs de cor verde brilhante.


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16.09.17

AS SIMPÁTICAS BACKSTUGAS DA SUÉCIA


antonio garrochinho

Em uma floresta no sul de Småland, no sul da Suécia, há uma pequena cabana de barro que você pode alugar diretamente no Airbnb. A cabana é parcialmente enterrada no chão, com seu telhado de grama quase nivelada com o nível do solo, o que torna a choupana quase invisível. Este tipo de casebre é conhecido como "backstuga" na Suécia, que literalmente pode ser traduzido como "chalé de colina". Elas não são muito comuns na atualidade, mas nos séculos XVII e XVIII, algumas pessoas mais pobres do país moravam nelas.

Muitas backstugas tinham apenas um quarto e muitas vezes eram construídas diretamente em uma encosta, com três paredes externas de madeira (ou pedra), enquanto a colina servia como parte de trás e quarta parede da casa. Esse estilo de construção era comum no sul e sudoeste da Suécia, onde a madeira era muito cara.

Pese que no curto verão local as choupanas podiam manifestar um ambiente cálido e abafado depois de muitas horas no sol, durante o inverno conseguiam manter o calor por muito mais tempo, proporcionando um aquecimento extra em tempos de frio rigoroso.

As pessoas que viviam nessas moradias eram conhecidas pejorativamente como backstugusittare (barraqueiros). Eles quase sempre eram muito pobres e viviam na propriedade de outra pessoa e ganhavam a vida com empregos temporários, artesanato ou em instituições de caridade.

Às vezes, o proprietário arrendava uma pequena parcela de terra para que eles cultivassem pequenas lavouras ou jardins. Tais casas eram normalmente construídas em terras inúteis para a agricultura, ou em terras comunais de aldeias, ou paróquias.

Os barraqueiros não eram muito bem vistos pelas autoridades já que nunca pagavam impostos. Mas os tempos mudaram e, à medida que o status social destas pessoas melhorou, muitas dessas casas foram abandonadas e agora algumas delas são preservadas em Åsle, nos arredores de Falköping, e são frequentadas durante o veraneio apenas por famílias abastadas.

A acolhedora cabana mostrada no primeira foto, que está localizada em Småland, foi construída no início dos anos 1800. Os proprietários do imóvel restauraram a cabana, instalaram diversas comodidades modernas e agora aluga a mesma aos visitantes.
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Via: A. Steijer
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Via: Johan Emanuel Thorin
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As simpáticas backstugas da Suécia 04
Via: Desconhecido
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Via: Work of Castor
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Via: Work of Castor
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As simpáticas backstugas da Suécia 07
Via: Work of Castor
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As simpáticas backstugas da Suécia 08

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Via: Hembygd
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As simpáticas backstugas da Suécia 10
Via: Wikimedia
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As simpáticas backstugas da Suécia 11
Via: Deviant World
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As simpáticas backstugas da Suécia 12
Via: Work of Castor
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As simpáticas backstugas da Suécia 13

Hembygd
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As simpáticas backstugas da Suécia 14
Via: Slaktforskarfarbunds
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Via: Frnminne-Hogland
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As simpáticas backstugas da Suécia 16
Via: Desconhecido
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As simpáticas backstugas da Suécia 17
Via: Harriet Moments
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As simpáticas backstugas da Suécia 18
Via: Guidebook Sweden

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16.09.17

Berardo – As Tranquibérnias do Amor à Arte – 4


antonio garrochinho


berardo1
Uma gigantesca e luzidia vitrina para expor o amor à arte

Os lances, com vários protagonistas, da colecção Berardo é um exemplar romance de cordel desse universo. O bater da porta de Capelo deu a oportunidade ao comendador de ir recorrendo a novos conselheiros que se acotovelavam nos corredores por onde passeava a sua então recheada carteira de afortunado especulador. Criava-se a ilusão que se estava a trabalhar tendo por horizonte um museu internacional de arte moderna e contemporânea quando na realidade o que se fazia era atulhar o armazém do acervo de um coleccionador que a ia constituindo em função das oportunidades do mercado e não com um horizonte definido por uma planificação, como é exigível a um museu. Isto, onde se diluiu a coerência inicial da colecção, não belisca a sua importância no seu carácter internacional de arte moderna e contemporânea, sem paralelo em Portugal, apesar das primeiras décadas do século XX serem muitíssimo lacunares, o que até é compreensível dados os valores de mercado, mas não lhe confere um apregoado estatuto que só tem um principal interessado, o comendador Berardo. 

Disso se fez valer quando o mercado se recompôs e voltou a inflacionar, a capacidade de aquisição se reduziu, a valorização começou a ser mais lenta. Precisava de uma montra, uma boa montra para a sua colecção, onde a colecção fosse valorizada publicamente. Berardo começou a apontar alto escudado no interesse da colecção, mas no fundo os seus objectivos eram em tudo semelhantes aos objectivos de marketing dos megaconcertos do Parque da Bela Vista, montra promocional do mercado discográfico. Só que isto das artes faz vibrar as cordas da alma com outra sofisticação.

A negociação para a colocação da colecção Berardo no Centro Cultural de Belém estava favorável e mediaticamente condicionada para o lado do comendador. O Portugal lustrado tremia de pavor com as ameaças do comendador em colocar a colecção no estrangeiro. A ministra da Cultura em funções, Isabel Pires de Lima, desconfiava que essas propostas eram fogo de artificio do comendador para impor a sua vontade. Ainda recentemente reafirmou que “estava totalmente tranquila, que ela ficaria em Portugal”, ao contrário do primeiro-ministro José Sócrates, assessorado por Alexandre Melo que segurava o telefone para a verruma da voz de Berardo contar ao nosso primeiro os seus sonhos de mil e uma noites sem verão nos intervalos das noites de verão ocupadas na colecta de maravedis no sobe e desce bolsista. 

Na comunicação social retiniam os alarmes referindo as propostas para instalação da colecção no estrangeiro que enchiam a caixa de correio do comendador. Por mais que vasculhassem não encontravam agulha no palheiro. Por mais que fossem referidas as tais propostas concretas nenhuma foi de facto descoberta. Só intenções, mas de intenções, boas e más, está o inferno cheio. Prevaleceu a vontade de Sócrates sobre as dúvidas e as questões que Pires de Lima, a saloia, a estúpida, Berardo dixit, colocava no caminho imperial de ocupação total dos espaços exposicionais do CCB e mais umas quantas exigências que deram ao Museu Colecção Berardo um lugar de excepcionalidade no panorama nacional. 

Com o andar da carruagem muita gente se chegava à frente para ocupar um lugar na mesa daquele festim. Entre os variegados episódios registe-se o interpretado por Melo a bater tambores em vários jornais, rádios e televisões fazendo soar que, pelo seu passado de colaborador do comendador, seria natural vir a ocupar lugar de relevo na futura Fundação. Não percebia que no pequeno-almoço de Berardo havia muitos melos, pelo que lhe era mais útil ter um melo telefonista de serviço no gabinete do primeiro-ministro que dois melos pousados noutras cadeiras.

Instalada a colecção, Berardo não contente com as condições leoninas alcançadas, faz novas exigências à administração do CCB, ao que parece completamente marginalizada nas negociações, até Mega Ferreira ficar tão encostado à parede que se demitiu de presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea-Colecção Berardo (FAMC). Sempre rápido Berardo disparou no seu estilo habitual: se ele não está satisfeito, que arranje outro lugar para trabalhar.
Berardo tinha o mundo a seus pés por via de um protocolo em que tinha ganho tudo e mais alguma coisa. 

Ocupava todo o espaço do CCB que ficou a suportar os custos logísticos e de manutenção da colecção. Ficou com um museu aberto todos os dias de semana e com entradas gratuitas, situação só agora alterada com o novo protocolo, o que o empurrou para lugar cimeiro entre os museus mais visitados do país e mesmo da Europa. 

O comendador, cansado de negociar com o Estado, bem pode agitar reiteradamente essa bandeira. Nessas áreas não há controle antidoping! O doping do Museu Colecção Berardo em relação aos museus de cá e da Europa era flagrante, nem eram precisas análises, a camisola amarela estava garantida.

Cansado de negociar com o Estado”, mas sempre a receber favores e largas benesses. Por via do acordo celebrado em abril de 2006, entre 2007-2015 recebeu apoios financeiros de 41,4 milhões de euros do Fundo de Fomento Cultural, verba muitíssimo superior à concedida a qualquer outra entidade e desproporcionada se comparada às distribuídas aos museus nacionais.

Entre esses apoios um deve ser sublinhado. Ficou estipulado que, para enriquecer e valorizar a colecção, todos os anos o Estado contribuía com 500 mil euros para aquisições de obras de arte e igual verba seria entregue pelo comendador. Por ano, um milhão de euros para ir às compras, coisa com que nenhum museu nacional sequer sonha. 

As compras eram decididas pela FMAC, Berardo presidente vitalício com maioria na administração. Gabriela Canavilhas, na altura ministra, colocou reticências à política de aquisições da FAMC. Decidiu, e bem, perceber como eram feitas. Pelos Relatórios e Contas ficou-se a saber como muitos dos milhões do Estado foram parar aos bolsos de Berardo porque eram aplicados a comprar obras que o comendador ainda tinha lá por casa. Isto acontecia em paralelo com outra finura bem à moda de Berardo que, em vez de entrar com dinheiro líquido, «cumpria» essa sua obrigação contratual em géneros, entregando mais umas obras que estavam lá por casa. 

Ficou-se sempre por saber por quanto Berardo as tinha adquirido e por quanto as vendeu para a sua própria colecção. Na prática, quanto é que o comendador ao longo desses anos meteu directa e indirectamente ao bolso. O argumento avançado pelos membros da direcção da Fundação foi o do superior interesse artístico das obras. Um argumento patético porque tenham ou não tenham interesse artístico, seja superior ou inferior, o que está em causa é a lisura do processo. 

A avaliação e a decisão do superior interesse artístico eram feitas por quem estava comprometido com os interesses do comendador. Uma conversa da treta em que só é enganado quem quer ser enganado e não quer perder lugar na corte Berardo. A arte tem costas largas para aguentar essas negociatas de uma flagrante falta de ética ainda e mesmo que tudo seja legal. De obras com superior interesse artístico está este mundo e arredores cheio! Quando a farfalha foi conhecida e Canavilhas se demarcou, Berardo berrou aos quatro ventos, com a grosseria que o amor à arte não desgasta, que ela era mentirosa. Isto acontece quando o comendador, ameaçado de falência pelas brutais dívidas contraídas na banca para especular na bolsa, já tinha dado como garantia a colecção, espadeirava em todas as direcções para distrair a malta. Fala em sacos azuis do CCB, desmente ruidosamente a ministra e a Fundação do Centro Cultural de Belém esgoelando, entre alarves gargalhadas, que à Fundação Berardo não tinha chegado dinheiro nenhum e que “se eles pagaram, onde é que está o dinheiro, levaram para casa? (…) à nossa conta não chegou. 

Devia ter ido parar à conta do CCB… do saco azul”. Avança a ideia de que duas Fundações no mesmo local não fazem sentido. Quer dizer não lhe basta ter-se apropriado de uma área substancial do CCB. Quer abocanhá-lo por inteiro e tem apaniguados certos no universo das artes, cegos pelo superior interesse artístico que transforma o combustível que move o comendador, a especulação, num néctar dos deuses mesmo quando se vê à vista desarmada que a exposição da colecção no CCB é um poderoso estimulante para a sua valorização. A colecção avaliada em 2006, pela Christie’s em 316 milhões de euros hoje deve valer, no mínimo,400 milhões de euros. Uma valorização de quase 30% em dez anos. Nada mau para uma colecção em que 3/4 do seu valor está concentrado em 10% das suas obras.

Um folhetim sem fim à vista

Muito há que analisar sobre estes dez anos de exposição e exposições temporárias mesmo dando de barato uma recente graxa nos sapatos do comendador com a exposição “O Gosto do Coleccionador” que decidiu (ele? quem por ele?) escolher umas quantas obras de arte depois de ter amado loucamente todas como tinha dito a Ana Sousa Dias, no programa Por Outro Lado, quando inquirido sobre as que mais prezava: “Todas. É como os filhos, você prefere algum dos seus filhos?”. Agora armado em Saturno de fancaria, devora uns quantos filhos por achar necessário mostrar que afinal tinha algum gosto. Há que reconhecer que Berardo é um espertalhão com espertalhices sempre ao virar de qualquer esquina.

Há nebulosas que se devem esclarecer em relação à colecção e que deveriam ter sido esclarecidas antes da renovação do protocolo. No anexo ao protocolo listam-se 862 peças o que, segundo algumas fontes, deve ser corrigido porque há séries fotográficas que não são inventariadas como uma unidade, mas foram contabilizadas individualmente. É uma questão de rigor que reduz as 268 aquisições feitas por Joe Berardo a 152 obras, o que talvez tenha a ver com o método de compra já referido.

O interesse da colecção, apesar de todas as lacunas e insuficiências que se lhe possam apontar, é uma inegável mais valia. O que não é aceitável, é mesmo insuportável, é o Estado não defender o interesse público não acautelando o que deve acautelar e ir a reboque de Berardo. No contexto em que foi negociado o actual protocolo era uma ocasião excelente para clarificar não só situações anteriores, mas as actuais derivadas das aventuras financeiras especulativas do comendador. Que Berardo seja um risco sistémico para a banca é uma coisa. Que se transforme, por laxismo do governo, num risco sistémico para a FAMC e para a colecção é outra completamente diferente. Com algumas das normas protocoladas e com a execução da penhora, por mais que se negue, a confusão está instalada, um icebergue à deriva que, mais cedo ou mais tarde, colidirá com um qualquer Titanic. Devia ter sido prevenida. As cenas dos próximos capítulos, conhecendo-se e sabendo-se quem é Joe Berardo, anunciam-se escalafriantes.


pracadobocage.wordpress.com

16.09.17

FARO NO REINO DO BACALHAU - ELE GOSTA MUITO DE IR A ALMOÇOS, FESTAROLAS, HOSPITAIS E ATÉ FUNERAIS.


antonio garrochinho




FARO NO REINO DO BACALHAU

ELE GOSTA MUITO DE IR A ALMOÇOS, FESTAROLAS, HOSPITAIS E ATÉ FUNERAIS.

AG


Ando para publicar isto já à algum tempo, mas primeiro analisei tudo e com o distanciamento necessário decidi que hoje seria um bom dia... Falo da cidade que adoro... que me acolheu a mim e as minhas filhas e onde nos sentimos em casa, e por me sentir em casa sinto que tenho legitimidade para escrever sobre ela e sobre como está a ser gerida pelo atual Ex.mo. Senhor Presidente de Câmara Rogério Bacalhau.
Nesta cidade gira... de bom clima, cheia de vida académica e festas porreiras, pode-se quase morrer ou até me arrisco a dizer que podemos morrer com culpa da Câmara ou empresas municipais! Sim, empresasm municipais pois assim a Câmara e a Proteção Civil sacodem a água do capote... Bem mas perguntam se de certeza sobre o que falo, vou esclarecer muito por alto porque se fosse a escrever tudo isto seria quase um thriller, na R. Dr. Emílio José Campos Coroa, (se não reconhecem a morada posso vos dizer que é a rua da Escola EB 2,3 Dr. José Neves Júnior), no mês de Novembro do ano passado, houve obras da rede de saneamento, levantaram as tampas de saneamento mas esqueceram -se de as fechar, uma pessoa sofreu um grave acidente numa dessas tampas que estava solta que a colocou no hospital, gravemente ferida, com lesões graves na bacia, músculos e aparelho reprodutor, foram chamadas as autoridades, o Sr. Presidente até fez uma visita no Hospital, prometendo que tudo seria tratado e que todos os danos e despesas seriam ressarcidas, até agora nada!!! Nem seguro do município ou da empresa municipal pagaram o quer que seja...nada!!!Todas as despesas foram suportadas por esta pessoa, fisioterapia, consultas, foi obrigada a deixar de trabalhar pois era impossível fazê-lo. Parece que se quer esquecer, até porque estamos em eleições e não se fala dos podres... Mas pensemos bem... podia ter sido uma criança, podia ter sido um idoso a caminho do centro de saúde, podia ter sido eu... ou você... E quando vejo o slogan escolhido para a Campanha do Sr. Rogério Bacalhau penso... Será que com ele Faro está no rumo certo?
Será que nós estamos no Rumo Certo?
Se isto só não bastasse para fazer esta pergunta, ainda me recordo que no inverno passado as minhas duas filhas me pediram mantas para levar para a escola, porque não ligavam os A/C e os alunos morriam de frio nas aulas, bem sei que a câmara mais uma vez sacode a água do capote, a culpa é da direção da escola, mas será só culpa da direção? A Câmara não tem uma palavra a dizer?
Rumo certo? Qual Rumo? Rumo á indiferença? Rumo a... Se não estás bem muda-te!!! Não me quero mudar, quero viver em segurança... pago impostos e não deveria andar na rua a olhar para sarjetas e pensar que não posso por o pé porque posso morrer ao cair dentro de uma... não quero pensar que tenho que ter duas mantinhas para as miúdas levarem para a escola no inverno...
Adoro Faro.... Mas Faro merece muito mais que o cidadão Rogério Bacalhau como presidente.... Disse!

Raquel Plácido in facebook

16.09.17

TERRORISMO DE CLASSE


antonio garrochinho


Andar de metropolitano em Londres está a tornar-se numa roleta-russa e esta intranquilidade é um rolo de pressão a que poucos escapam.
  
A questão colocada é clara e simples:
Por que razão os terroristas escolhem lugares públicos como alvo?

Se se querem afirmar ou pretendem que os media façam alarde dos seus crimes, não creio que um jantar de gala ou uma alta individualidade ou quiçá um banqueiro de renome, fossem menos mediáticos que as comuns chacinas de centenas de zés-ninguém apanhados a caminho do trabalho.

Os terroristas preferem o povo anónimo para que não fiquem na história como algozes de um qualquer Soros ou Rothschild.


OU SERÁ QUALQUER OUTRA RAZÃO QUE NOS ESCAPA?


aspalavrassaoarmas.blogspot.pt