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casepaga

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31.03.18

Dividendos da Sonae pagavam aumentos de 130 euros em todo o grupo


antonio garrochinho


O grupo Sonae teve lucros de 174 milhões de euros em 2017 e quer distribuir quase metade em dividendos, o que permitiria aumentar em 130 euros por mês todos os 46 155 trabalhadores.
Paulo Azevedo, presidente da Sonae e da sua principal accionista, a Efanor, que congrega os investimentos do seu pai, Belmiro de Azevedo. Na foto, durante a apresentação dos lucros de 2015 da Sonae, no Porto, 17 de Março de 2016.
Paulo Azevedo, presidente da Sonae e da sua principal accionista, a Efanor, que congrega os investimentos do seu pai, Belmiro de Azevedo. Na foto, durante a apresentação dos lucros de 2015 da Sonae, no Porto, 17 de Março de 2016. 
A Sonae revelou, na passada quinta-feira, os resultados consolidados do grupo, que espelham lucros de 174 milhões de euros em 2017, ligeiramente abaixo dos 220 milhões de 2016.
Ainda assim, os lucros registados no ano passado permitiram um aumento de 269 euros mensais a cada um dos 46 155 trabalhadores do grupo, caso fossem integralmente distribuídos. Considerando apenas aquilo que o conselho de administração propõe que seja distribuído pelos accionistas – 84 milhões – o aumento para cada trabalhadores seria de 130 euros, uma subida de 14% face ao salário médio no grupo.
O principal accionista do grupo Sonae é a Efanor, empresa detida pelos herdeiros de Belmiro de Azevedo, com 52,69% do grupo. Com a distribuição de lucros proposta, a família Azevedo vai receber mais de 44 milhões de euros.
De acordo com a folha sindical do Sindicato dos Trabalhadores do Comércios, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) aos trabalhadores do grupo, de Fevereiro passado, a Sonae decidiu colocar nas mãos das chefias a decisão sobre aumentos salarias. O sindicato reivindica aumentos a começar nos 40 euros para todos, assim como subidas noutras componentes remuneratórias, como de um euro por dia no subsídio de refeição.


www.abrilabril.pt

31.03.18

Maria Machado, Professora e activista política, “hóspede forçada da PIDE” que, por causa disso viveu quase como uma indigente


antonio garrochinho


MARIA dos Santos MACHADO, Professora, Educadora e Política, nasceu na Vila da Calheta (São Jorge, Açores), a 25-02-1890, e faleceu na Amadora, a 04-10-1958. Filha de Bartolomeu Silveira Lucas e de Maria dos Santos Teixeira. Maria Machado foi Professora Primária Oficial na Ilha de São Jorge, Açores, onde abriu uma Biblioteca dirigida tanto a alunos como a adultos, de forma a estimular o contacto com a literatura.
Uma notável figura feminina da Resistência antifascista. Professora e activista política, uma mulher verdadeiramente progressista na sua prática profissional e cívica, militou na clandestinidade, foi afastada do ensino e presa. Militante do Partido Comunista foi presa várias vezes, a última das quais no próprio ano em que faleceu.
Inconformada com o ambiente limitado do Arquipélago, Professora, cedo se transferiu para o Continente, sendo colocada em Lisboa, na Escola primária nº 97. Militou no Socorro Vermelho Internacional, tendo sido uma das fundadoras da Comissão Feminina Portuguesa para a Paz, em 1936. Assinalada pela polícia política sofreu as habituais perseguições da PVDE/PIDE e foi expulsa do ensino e impedida de ensinar (mesmo gratuitamente, aos mais necessitados).
Já no Continente, continuou a orientar as suas aulas, segundo o “Método Activo”, dirigiu uma escola destinada aos filhos dos ferroviários, que foi encerrada pelas autoridades do Estado Novo, fundou uma Biblioteca em Algés e leccionou português na sede da Liga dos Esperantistas Ocidentais.
Foi dirigente da Escola Primária nº 97 quando, em 1 de Agosto de 1936, foi detida pela primeira vez. Afastada do ensino público, por motivos políticos, tornou-se governanta e continuou a ensinar gratuitamente adultos.
Maria Machado foi uma das fundadoras da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1936) e foi uma importante activista do Partido Comunista Português nas décadas de trinta e quarenta, tendo, inclusivamente, desempenhado tarefas em Paris (1937-1938).
Em finais de Dezembro de 1937/ princípios de Janeiro de 1938, partiu para França. Em Paris, integra a Federação Portuguesa dos Emigrados neste país, uma organização frentista criada pelo PCP. Exerceu funções de relevo junto da Internacional Comunista e colabora também com membros do Partido Comunista Espanhol e do Partido Comunista Francês. Regressou a Portugal em 1942, passou à clandestinidade e tornou-se numa das primeiras mulheres a viver nesta condição. Trabalhou nas tipografias clandestinas do PCP até 7 de Novembro de 1945, dia em que é presa no lugar de Barqueiro, freguesia de Maçãs de D. Maria, Concelho de Alvaiázere. Restituída à liberdade a 31 de Agosto de 1947, voltou a Caxias a 20 de Dezembro de 1953 e, pela última vez, a 14 de Abril de 1954.
Por razões de saúde teve de deixar a clandestinidade, mas continuou sempre activa no apoio, a todos os níveis, aos presos políticos e suas famílias. Maria dos Santos Machado foi também uma das fundadoras da Liga Portuguesa para a Paz. Foi presa por quatro vezes, entre 1936 e 1956, ficando na Cadeia das Mónicas e em Caxias.
Já sexagenária é proibida de ensinar. Para sobreviver trabalhou como governanta numa casa particular, bordou tapetes de Arraiolos e deu explicações. De forma gratuita e clandestina, continuou a alfabetizar adultos.
Morreu, subitamente, aos 66 anos, a 4 de Outubro de 1958, em plena rua da Amadora, quando procurava alojamento, após ter sido despejada, por pressão policial, do quarto em que vivia.
O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Amadora, Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca), Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana), Loures (Freguesia de São João da Talha).
Fonte: “silenciosememorias.blogspot.pt” (por João Esteves)
Fonte: “Antifascistas da Resistência”

ruascomhistoria.wordpress.com

31.03.18

Recordamos hoje, Severiano Falcão, Operário, Político e Escritor, que foi “hóspede” da PIDE, no Forte de Peniche.


antonio garrochinho


Severiano FalcãoSEVERIANO Pedro FALCÃO, Operário, Político e Escritor, natural da Freguesia de Alhandra (Vila Franca de Xira), nasceu a 01-03-1923 e faleceu a 05-05-2004. Tinha a alcunha de “Espanhol”, era filho de um “trabalhador sem profissão”, e de uma “operária têxtil”. Seus irmãos, também tinham interesse pela política.
Frequentou a Escola Primária e começou a trabalhar muito cedo numa oficina, cujo patrão era simpatizante dos republicanos espanhóis. Foi mudando de oficina e ofício em função das dificuldades. A sua profissão oficial era de Carpinteiro, mas sempre se considerou Mmarceneiro.
Jovem nos meios operários de Alhandra foi desportista e músico amador,– tocava clarinete na Sociedade Euterpe – , participou em actividades animadas por Soeiro Pereira Gomes. Foi recrutado para as Juventudes Comunistas em 1942 e permaneceu nessa situação até 1944, altura em que entrou para um organismo partidário.
Depois das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, foi chamado ao CL de Alhandra, para substituir elementos que tinham sido presos. Participou em actividades sindicais mas o seu nome era vetado pela PIDE para cargos nos Sindicatos. Em 1947, passou a ser membro do CR do Ribatejo e, nessa qualidade, participou, no ano seguinte, na agitação legal e semi-legal, em apoio à candidatura do General Norton de Matos para a Presidência da República.
Foi preso pela mais eficaz e brutal brigada da PIDE na perseguição ao PCP, que incluía José Gonçalves e Fernando Gouveia, e que stava envolvida na investigação do assassinato de Manuel Vital. Fernando Gouveia acusou-o imediatamente de ser o responsável pelo assassinato de Manuel Vital.
Após um período inicial em que Severiano Falcão não foi maltratado, a PIDE iria torturá-locom mais violência do que era habitual. Foi espancado e colocado várias vezes de cabeça para baixo, provocando desmaios. Estas violências tem certamnete a ver com a convicção da polícia de que Severiano Falcão, tendo substiutído Manuel Vital, deveria conhecer as circunstâncias em que este fora morto. Severiano Falcão não prestou quaisquer declarações.
Condenado, foi enviado para Peniche de onse saiu em 1956. Voltou a trabalhar, agora na construção civil, passando a dirigir obras em Lisboa. Retoma o contacto com o PCP e participa na campanha de Humberto Delgado. É preso de novo a 21 de Agosto de 1958, julgado e condenado como militante do PCP. Volta à cadeia de onde só sai em 1966.
Regressa a Alhandra e vai trabalhar para uma empresa de Lisboa. Severinao Falcão era agora medidor e orçamentista e estudara na cadeia o método PERT, de que era considerado especialista.
Participou profissionalmente em obras da TAP no Aeroporto e; à data do 25 de Abril de 1974, trabalhava na grande empresa de construção civil Joaquim Francisco dos Santos.
Operário-Escritor, integra-se no nível de intelectuais não tradicionais que, entre as décadas de 1930 e 1950, deram prática ao conceito defendido por Bento de Jesus Caraça de cultura integral do indivíduo. Trabalhador desde muito moço, atingiu o curso médio industrial como autodidacta, enraizado nos movimentos de cultura e solidariedade que se desenvolveram nos meios populares do Ribatejo e ciaram muitos outros portas-trabalhadores quase incógnitos na literatura portuguesa deste século. Severiano Falcão iniciou a sua actividade política na Federação das Juventudes Comunistas tendo aderido ao Partido Comunista em 1942.
Lutou sempre pelos direitos dos trabalhadores e do Povo em geral, tendo estado preso durante quinze anos e vivido na clandestinidade.
Foi presidente da Câmara Municipal de Loures de 1979 até 1991. Sempre se dedicou à prosa, mesmo nos quase quinze anos de prisão política a que o votou o regime fascista, e chegou a abalançar-se num longo romance de fundo autobiográfico, ainda inédito, cuja conclusão ainda cultiva. Foi um trecho deste que editou, sob a aparência de conto e com o título de “Sonho e Realidade”, numa antologia de ficção organizada por António Borga.
Obras principais: Histórias Breves de Escritores Ribatejanos, (1968).
O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora, Loures (Freguesias de Bucelas, Prior Velho e Santo Antão do Tojal), Odivelas (Freguesias de Odivelas e Ramada).
Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V , Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Publicações Europa América, Edição de Julho de 2000, Pág. 273 e 274)


ruascomhistoria.wordpress.com

31.03.18

Lagostim mutante que se clona a si mesmo e está a invadir a Europa


antonio garrochinho



Uma nova espécie de lagostim, fruto de uma mutação genética natural, está a crescer muito rapidamente e a expandir-se por vários ecossistemas europeus. Um grupo de cientistas teme que o nascer desta espécie possa significar o fim de outras

O lagostim-mármore surgiu há cerca de 25 anos, estima-se, na Alemanha. Ficou com este nome dada a sua aparência semelhante à pedra homónima, resultado da mutação que sofreu. E não fui uma mutação qualquer. Este novo lagostim desenvolveu uma capacidade muito rara no mundo animal: a capacidade de se clonar a si mesmo.

Bastou a mutação de um único espécime de lagostim comum para que, de um momento para o outro a nova espécie fosse criada.

Esta capacidade de auto-clonagem permitiu-lhe uma rápida expansão por vários ecossistemas, na Europa e fora dela.

Nos últimos cinco anos, Frank Lyko, biólogo do German Cancer Research Center, e a sua equipa, têm estudado o lagostim mármore. Lyko conta que a espécie ganhou popularidade na década de 90 entre criadores de lagostins amadores alemães, e que os primeiros relatos da sua existência tenham partido de um destes criadores.

Certo dia, um criador não identificado terá comprado um lagostim-mármore e reparado que este punha mais ovos do que o normal – sem nunca sequer ter acasalado com um parceiro. E mais do que isso, os ovos aparentavam estar fecundados e deles nasciam novos lagostins, todos fêmeas.

Este padrão de comportamento era repetido pela nova geração, e assim sucessivamente. "As pessoas começavam com um só animal e, passado um ano, tinham várias centenas", explica Lyko.

Muitos donos acabaram por abandonar grande parte dos animais em lagos, onde estes acabavam por se multiplicar e criar pequenas populações selvagens, capazes inclusive de se deslocar vários quilómetros para chegar a novos lagos e novas zonas para popular.

A espécie expandiu-se para a República Checa, a Hungria, a Croácia e a Ucrânia, tendo com o tempo chegado ao Japão e a Madagáscar. Estima-se que a espécie tenha chegado a Madagáscar em 2007 e que se tenha multiplicado de tal forma que, hoje em dia, ameaça as espécies de lagostins nativas, relata o New York Times.

Em 2003, um grupo de cientistas concluiu que o lagostim-mármore estaria, de facto, a clonar-se. E com base neste estudo, Lyko e a sua equipa sequenciaram o ADN de vários espécimes, na tentativa de entender melhor o processo.

Concluíram que o lagostim-mármore terá evoluído de uma outra espécie de lagostim, de nome científico Procambarus fallax, natural do rio Satilla na Georgia, EUA.

Os dois espécimes de Procambarus fallax acasalaram, sendo que um deles – o macho ou a fêmea - tinha uma mutação nas células sexuais. Cada célula sexual possui uma cópia de cada cromossoma (X e Y), mas a célula mutante teria duas cópias.

De alguma forma não compreendida ainda pelos cientistas, as células sexuais juntaram-se e produziram um lagostim fêmea com três cópias de cada cromossoma, mas sem nenhuma deficiência associada a este excesso de ADN.

Em vez de se reproduzir sexualmente, este lagostim desenvolveu a capacidade de induzir os próprios ovos a formar embriões - tudo a partir do seu próprio material genético.

Desta forma, os embriões resultantes tinham um ADN idêntico à progenitora, ou seja, eram clones desta: todos fêmea, férteis e com a mesma capacidade de se clonar.

Vários estudos defendem que as espécies de reprodução assexuada crescem rapidamente, mas nãoduram muito tempo:

Ter o mesmo código genético significa ser afetado pelas mesmas doenças da mesma forma. Por outras palavras, se surgisse uma doença que se revelasse fatal para um lagostim-mármore, seria fatal para todos e a espécie acabaria por se extinguir.

Em Dezembro do ano passado, Lyko declarou o lagostim mármore como uma espécie própria, de nome científico Procambarus virginalis. Ele e a sua equipa estimam que a espécie tenha tido origem na Alemanha, de onde vieram os seus primeiros relatos, visto não existirem populações de lagostim mármore nos EUA.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution demonstra a rapidez com que o lagostim mármore se expandiu para Madagáscar em menos de uma década. Os cientistas temem que a nova espécie se torne uma praga em vários ecossistemas e que possa levar ao declínio da fauna natural dos habitats.

fonte: Visão

31.03.18

Concordata e Acordo Missionário de 1940 entre Portugal e o Vaticano


antonio garrochinho




“A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica da Igreja Católica. As relações amigáveis com a Santa Sé serão asseguradas na forma tradicional por que historicamente se exprimiam, mediante um Núncio Apostólico junto da República Portuguesa e um Embaixador da República junto da Santa Sé” – Artigo 1º da Concordata de 1940. ”.
As medidas anticlericais, nomeadamente a Lei da Separação do Estado e da Igreja, tomadas pelo governo da República Portuguesa em 1911 levaram a um declínio das relações diplomáticas e políticas entre Portugal e o Vaticano. Durante o período da Ditadura Militar foram no entanto feitas algumas tentativas, ainda que não tenham tido carácter formal, com o objectivo de atenuar algumas das contendas entre os dois Estados. Em 1937, o Presidente do Conselho de Ministros e à época Ministro dos Negócios Estrangeiros, António de Oliveira Salazar dava início a uma série de negociações com o Vaticano, que culminariam 3 anos depois com a assinatura da Concordata. Da autoria do Cardeal Cerejeira surgiu o primeiro esboço de 12 artigos, aos quais viriam a ser acrescentados outros que passariam por uma série reformulações até que as duas partes chegassem a um mútuo acordo. Mário de Figueiredo, Teixeira de Sampaio e Manuel Fezas Vital foram os principais nomes que em consonância com Salazar se envolveram nas negociações preliminares e que garantiram que os interesses portugueses não ficavam de parte. Em 1938, apresentou-se ainda uma adenda à Concordata a qual previa a forma de actuação da Igreja Católica no ultramar português, como o estatuto das missões católicas e que ficaria conhecida como Acordo Missionário.
Através da Concordata, a Igreja Católica passava a ser então reconhecida pelo Estado português e voltaria a beneficiar de um estatuto privilegiado nas mais diversas áreas, recuperando ainda diversas prerrogativas e privilégios respeitantes à sua jurisdição e actuação no país. No Vaticano, a 7 de Maio de 1940 a Concordata era assinada pela delegação portuguesa, composta pelo General Eduardo Marques, antigo Ministro das Colónias e presidente da Câmara Corporativa, Mário Figueiredo, antigo Ministro da Justiça, e Vasco Francisco Quevedo, Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário, e pelo representante apostólico o Cardeal Luigi Maglione, Secretário de Estado do Papa Pio XII.
Prenúncio de novos tempos, as circunstâncias políticas alteraram-se da conjuntura de 1940 e por isso a 18 de Maio de 2004 sentiu-se a necessidade de elaborar uma nova Concordata, que revia os termos relativos à liberdade religiosa e adaptava o novo código de direito canónico, assim como os actuais direitos e deveres incluídos na Constituição portuguesa.  
O Arquivo Histórico do Ministério dos Negócios Estrangeiros dispõe, para além da Concordata, de um espólio documental vastíssimo relativo às negociações, secretas e oficiais, que antecederam a sua assinatura.

















ahd.mne.pt

31.03.18

SEM PAPAS NA LÍNGUA


antonio garrochinho




PARA QUÊ O JOSÉ MANUEL FERNANDES, O MILHAZES, O SACANA LOPES, OS PALHAÇOS DO GOVERNO SOMBRA, O SUPER HOMEM DA INTELIGÊNCIA MIGUEL SOUSA TAVARES, PARA QUÊ O RODRIGUES DOS SANTOS (ORELHAS) A JUDITE, A CLARA DE SOUSA, O RANGEL, O PIGMÉU NÓIAS E O RESTO DA ESCUMALHA, A MATILHA DE COIOTES, A VARA SUÍNA DOS OPINADORES QUE VIVEM DO NOSSO DINHEIRO SEMPRE A PROMOVER A DIREITA MAS ARVORANDO-SE EM DEMOCRATAS ?

AGORA AÍ ESTÁ O FENÓMENO, O COMENTADOR ULTRA QUE JÁ CHEGOU AO "EIXO DO MAL", AQUELE QUE NÃO DEIXA NINGUÉM OPINAR CONTRA A SUA "ANÁLISE" SEMPRE "CERTEIRA" DO QUE SE PASSA NESTE PAÍS.
UMA ÉSPECIME DE "MARIA DAS BANANAS" À ALGARVIA,

UMA RARA ESPÉCIME SOBREVIVENTE DOS GRANDES PROTAGONISTAS DA BANHA DA COBRA, UMA ESPÉCIME DE PPD/PSD, TIPO PIDE BOM, PIDE MAU, O QUE DÁ PARA OS DOIS LADOS NA RETÓRICA MAS SÓ LEVA NUM. O CENTRO DIREITA DO %##### CU.

ONTEM UM LOCUTOR DA "TSF" DESPEDIU-SE NO PROGRAMA COM AS PALAVRAS "UMA BOA PÁSCOA" E LOGO O ARCANJO REACCIONÁRIO O EMENDOU VIGOROSAMENTE: UMA BOA PÁSCOA !? NÃO !!!!!

UMA SANTA PÁSCOA !

O LOCUTOR EMENDOU E REPETIU O QUE O "CANGORÇA" DA DIREITA ENDROMINADORA LHE SUGERIU.

É FÁCIL OUVIR ESTE SEBOSO SUJEITO CONVENCIDO QUE NOS ENGANA, DIZER QUE ESTÁ CONTRA O PSD, O SEU PARTIDO, MAS NADA MAIS FAZ DO QUE MONTAR ARDILOSOS JOGOS DE PALAVRAS ONDE NO FUNDO PROMOVE O FASCISMO MODERNO.

SEMPRE DE TAXA   ABERTA ESTE ESPERTALHÃO É MAIS UMA LEBRE DO NEO LIBERALISMO PARA NOS INVADIR AS ORELHAS E INFLUENCIAR O PENSAMENTO DOS QUE CAEM NAS SUAS ARMADILHAS NÃO AS SABENDO DISCERNIR E DESMONTAR.

É O PEDRO MARQUES LOPES ! MAIS UMA ARARA FASCISTA QUE ESTÁ OMNIPRESENTE EM TODOS OS JORNAIS, TELEVISÃO, RADIO ETC.

FALA DA CORRUPÇÃO MAS É UM AGENTE DOS CORRUPTOS, APONTA SOLUÇÕES MAS TODAS ELAS SÃO ENQUADRADAS NA ESTRATÉGIA DA DIREITA E SÓ LHE FALTA VOMITAR O MICRO, A MESA, ONDE PARTICIPA NOS DEBATES E ORDENAR QUE O POVO A VÁ LIMPAR.


António Garrochinho

31.03.18

Rachel Jeffs, filha do líder mórmon, conta a sua vida de terror: os abusos do pai, a poligamia e a fuga - TUDO EM NOME DE deus e de cristo ! A RUÍNA, A DECADÊNCIA, O CRIME, O VENENO DA RELIGIÕES- ESTE NÃO É MUÇULMANO !


antonio garrochinho






Abusos sexuais, poligamia, casamentos com menores e pais separados dos filhos. Rachel Jeffs, filha do líder fundamentalista mórmon, descreve o que viveu na igreja sob a alçada de Warren Jeffs.
“– Rachel, o Pai está ao telefone para falar contigo – disse a Mãe Annette certo dia no Verão de 1992. Peguei no auscultador.
– Rachel, vem ao meu escritório – disse o Pai.
Recentemente, o Pai tinha começado a dar-me atenção especial, convidando-me a passar tempo com ele sem nenhum dos outros filhos por perto. Nessa altura, havia sete raparigas e três rapazinhos, dos três anos para baixo. Não faço ideia da razão por que me escolheu a mim e não aos outros. Levava-me a andar de carro ou às compras ou a comer num restaurante, só os dois, mas na maior parte das vezes passávamos tempo juntos no escritório dele. Regra geral, eu ficava a ler um dos livros que ele tinha por lá ou ajudava-o a limpar ou a fazer alguma tarefa simples que ele me passasse.
Nesse dia, quando cheguei, a luz no escritório estava muito ténue. As persianas estavam fechadas, permitindo apenas que uma pequena parte da luz da tarde espreitasse por entre as lâminas.
– Entra, Rachel. O Pai estava sentado na cadeira por trás da secretária.
– Aproxima-te – disse, e fez-me sinal com a mão.
Puxou-me para o colo dele. Mexeu as mãos por baixo de mim, fez-me deslizar para fora do colo dele e voltou-me de forma que eu ficasse virada para ele, e empurrou-me para que me pusesse de joelhos. As calças dele estavam desapertadas e ele tinha os genitais expostos.”
Rachel tinha apenas oito anos quando começou a ser vítima de abuso pelo pai, Warren Jeffs, líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e atualmente a cumprir prisão perpétua por abuso sexual de menores. Este foi apenas o primeiro dia de vários anos de abusos, relatados ao detalhe no seu livro “Filha do Profeta” que chega às livrarias no próximo dia 3 de abril. Rachel abandonou a igreja em 2014 e decidiu contar tudo aquilo que viveu sob as ordens do pai.
“Depois de eu ter saído, muitas pessoas que também tinham saído da igreja tentaram contactar-me e queriam ouvir a minha história. Achei que todas aquelas pessoas tinham o direito de saber como era realmente a pessoa que eles acreditavam que era um bom homem. Foi por isso que decidi escrever a minha história, para todas as pessoas que estão na igreja e que saíram. E também para ajudar todas as pessoas que passaram por uma experiência complicada, para saberem que conseguem ser boas pessoas e terem sucesso [apesar do que lhes aconteceu]”, afirma Rachel Jeffs, numa entrevista exclusiva ao Observador.
Nascida em 1983 em Salt Lake City (EUA), Rachel foi a filha mais velha da segunda mulher de Warren Jeffs — que, no total, teve78 mulheres e 53 filhos. A família fazia parte da elite da igreja. O seu avô, Rulon Jeffs, líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma fação fundamentalista mórmon, era chamado de Profeta, o homem eleito por Deus para passar os seus “ensinamentos”.
“Era uma família grande e crescemos todos juntos. Vivíamos todos na mesma casa, dividia um quarto com as meias irmãs que tinham mais ou menos a minha idade e chamávamos de mãe a todas as mulheres, independentemente de elas serem a nossa mãe ou não.”
A vida era “muito regrada”, recorda Rachel, agora com 35 anos. A família rezava todas as manhãs e cada elemento tinha uma tarefa, atribuída pelo Pai logo ao início do dia. As mães e crianças eram divididas em grupos. Uns ficavam encarregues de limpar a cozinha e fazer as refeições — muito à base daquilo que a família cultivava, pão e arroz integral, papas e feijões — e outros passavam o dia a tratar da roupa de toda a família. Uma mãe e algumas crianças limpavam o resto da casa enquanto outra mãe e os filhos mais velhos tomavam conta dos mais novos. Tudo sempre com uma atitude subserviente, tanto das crianças para os pais como das mães para Warren Jeffs. Ninguém se atrevia a desafiar ou a questionar o pai.
Apesar das tarefas, as crianças tinham tempo para brincar e ainda frequentavam a escola privada da igreja, a Academia Alta, dirigida por Warren Jeffs, onde tinham aulas de matemática, história, ciências, literatura e inglês até ao oitavo ano, além de aulas sobre a Igreja Mórmon. Rachel aprendeu a tocar violino — uma habilidade que lhe viria a ser útil, anos mais tarde — e os serões de sexta-feira em família eram passados a tocar e a cantar.
A família de Warren Jeffs em 1992, o ano em que começou a abusar sexualmente de Rachel (à direita, com as mãos na cara)
Desde cedo aprendiam a importância de cobrir o corpo e eram ensinados que rapazes e raparigas não se podiam tocar. As raparigas tinham de usar vestidos compridos “que iam dos calcanhares aos pulsos” e tinham de ter o cabelo entrançado de uma forma específica.
Rachel caracteriza a sua infância de “normal”, até o pai começar a abusar dela. “Durante toda a minha vida ele tinha-me ensinado a não deixar nenhum rapaz tocar-me nas zonas privadas, portanto quando ele começou a abusar de mim, eu sabia que era errado. Ele não dizia grande coisa, mas eu sentia-me péssima”, relata Rachel. “Lembro-me de pensar que se o meu pai é assim tão mau, provavelmente os pais do mundo lá fora são muito piores. Assumi isso porque nos disseram que o mundo era tão perverso, por isso achei que devia apenas estar agradecida com este tipo de pai.”
O contacto com o mundo exterior era praticamente inexistente. “Disseram-nos que eram pessoas perversas, que éramos os escolhidos e que devíamos estar agradecidos por não fazermos parte do resto do mundo.” Rachel ainda se lembra de ter visto alguns desenhos animados e filmes como “Winnie The Pooh”, “Cinderela”, “Bambi” e “O Homem de Rio Nevado”, mas o acesso a televisão e a livros infantis e escolares era escasso — romances eram proibidos.
Rachel caracteriza a sua infância de “normal”, até o pai começar a abusar dela. “Durante toda a minha vida ele tinha-me ensinado a não deixar nenhum rapaz tocar-me nas zonas privadas, portanto quando ele começou a abusar de mim, eu sabia que era errado. Ele não dizia grande coisa, mas eu sentia-me péssima”, relata Rachel. “Lembro-me de pensar que se o meu pai é assim tão mau, provavelmente os pais do mundo lá fora são muito piores. Assumi isso porque nos disseram que o mundo era tão perverso, por isso achei que devia apenas estar agradecida com este tipo de pai.”
“Quando tinha dez anos, o pai começou a levar-me a livrarias e a bibliotecas para me mostrar pornografia. Deixava-me na secção infantil, depois ia até à zona da loja onde estavam as prateleiras com livros «para adultos», escolhia o que queria mostrar e trazia-o de volta. Para outros patronos parecia apenas um pai dedicado a ler para a filha.
– Rachel, olha o que os homens e as mulheres fazem juntos.
Ou:
– Olha o que os homens e as mulheres fazem a eles próprios.
Se a secção infantil estava muito cheia com outras crianças, o pai dizia-me para o seguir até uma secção diferente da loja, como jardinagem ou ciências, onde não havia outros clientes, para poder explicar-me com detalhe como se faziam os bebés e como nasciam.
– Pai, eu não quero ver.
– Quero que olhes para estas imagens.
O pai punha as mãos nos dois lados da minha cabeça e forçava-me a olhar. Sentia-me envergonhada que as outras pessoas na loja pudessem perceber que eu não queria olhar para o que ele estava a mostrar-me, por isso acabava sempre por obedecer-lhe. Muitas vezes, ele levava-me de volta ao escritório, despia-se e depois fazia-nos imitar as posições das imagens que tinha acabado de me mostrar, excluindo o ato de penetração.”
A jovem ainda contou à mãe o que se passava, mas de nada serviu. “Na noite em que lhe contei, ela enfrentou-o, mas depois nunca mais disse nada. Não sei se foi porque tinha medo dele ou daquilo que ele iria fazer… não sei porque é que nunca fez nada para acabar com aquilo”, conta Rachel.
Além deste episódio, Rachel nunca se queixou nem contou a ninguém o que o pai fazia — só anos mais tarde veio a descobrir que não era a única filha vítima de abuso. Os abusos continuaram até aos 16 anos. Nessa altura, escreveu uma carta ao pai onde lhe dizia o quanto “odiava” aquilo que lhe estava a fazer. Warren Jeffs pediu o perdão da filha e não voltou a abusar dela.
Apesar dos casamentos com raparigas menores serem prática comum na igreja, Rachel não acredita que os abusos sexuais o fossem. “Acho que eram mais os homens que não praticavam abusos sexuais do que aqueles praticavam. A maioria seguia as regras da igreja e não fazia esse tipo de coisas, mas acho que a poligamia acaba por estragar os homens. Acho que a maioria dos pais nunca fariam aquilo que o meu fazia aos filhos. O meu pai era particularmente estranho.”
Warren Jeffs com a filha Rachel, com 12 anos
Dois anos mais tarde, Warren decidiu casar as filhas Rachel e Becky — ambas com 18 anos — com os guardas do avô, Richard e David Allred. “Não achei que era assim tão nova. Achei que tive sorte em casar com 18 anos porque ele já tinha mulheres de 15 anos quando casei.” Entre a notícia de que se iriam casar e o dia da cerimónia, que foi celebrada pelo próprio pai, não passou nem uma semana. Apesar de conhecer o futuro marido de vista, a primeira vez que Rachel falou com Rich foi na véspera do casamento. Horas antes do casamento, Warren Jeffs fez com que a filha lhe prometesse que iria pedir, naquela noite, ao marido um bebé.
“Só passados dois meses inteiros desde o nosso casamento reuni por fim coragem para pedir um bebé ao Rich. Até então tinha-me sentido demasiado assustada para ter uma relação íntima com um homem que conhecera apenas um dia antes de se tornar meu marido. Ainda tinha algum medo, mas ele reagiu com um enorme sorriso.
– Sabes como se faz um bebé, Rachel? – perguntou, com preocupação genuína na voz.
A igreja separava os rapazes das raparigas antes da puberdade. Em casa e na escola éramos mantidos à distância. Paixonetas não eram autorizadas. Namorar não nos passava sequer pela cabeça.
O casamento era a nossa introdução às relações íntimas.
Contudo, disse: – Sim.
O Rich abriu muito os olhos e inclinou a cabeça para o lado, como um cão que tinha acabado de ouvir um som estranho.
– A sério? Como sabes?
– Porque sei – respondi, desviando a cara.
Não conseguia olhá-lo nos olhos.”
Rachel começou a fazer parte de uma família polígama — o marido já tinha duas mulheres e filhos quando casaram. Mesmo tendo crescido numa casa com várias mulheres, estava longe de imaginar a realidade de viver com esposas-irmãs. As cenas de ciúmes eram constantes, especialmente se Rachel passava a noite com o marido. Era Rich quem decidia com quem passava as noites, mas isso não impedia as outras mulheres de a maltratarem e de dizerem mal dela ao marido. As outras mulheres chegaram mesmo a maltratar os filhos de Rachel. “Fechavam-nos num armário por muito tempo ou ameaçavam-nos de palmadas. Eles não percebiam porquê.”
Rachel Jeffs (em baixo à direita) com três das esposas-irmãs
Uma situação que só acalmava quando estava grávida. Como o casal estava proibido de ter relações sexuais durante a gravidez, os ciúmes das outras mulheres acalmavam e aí a dinâmica era mais pacífica. “Eu amava o meu marido. Acho que não era uma amizade perfeita porque era poligamia, mas eu amava-o tanto quanto podia numa situação daquelas.”
Em 2002, Warren Jeffs tornou-se Profeta e líder da igreja após a morte do seu pai, mas não da forma tradicional. Por norma, tem de ser o Profeta a nomear o seu sucessor, o que não aconteceu neste caso. Isso, contudo, não foi problema: Warren, que há já quatro anos agia como líder da igreja, disse ter sido nomeado diretamente por Deus.
“Aos poucos, nos 15 anos seguintes, as coisas foram-se tornando mais rigorosas. Cada detalhe tornou-se muito importante para ele”, recorda Rachel. “Começando pela maneira como nos vestíamos: as cores tinham de ser cor pastel. Recebia novas revelações de que devíamos comer certo tipo de comida e não comer coisas como batatas, chocolate. Disse-nos que as mulheres e as crianças tinham de rezar, de hora em hora e de joelhos.”
Em 2005, Warren Jeffs foi acusado de má conduta sexual para com uma menor, de conspiração para cometer má conduta sexual com uma menor, de cúmplice de violação, de casar uma menor e um homem mais velho e começou a fugir das autoridades. Um ano depois já estava na lista do FBI das 10 pessoas mais procuradas dos Estados Unidos e foi detido, ainda nesse ano, numa operação stop nos arredores de Las Vegas.
Em 2005, Warren Jeffs foi acusado de má conduta sexual para com uma menor, de conspiração para cometer má conduta sexual com uma menor, de cúmplice de violação, de casar uma menor e um homem mais velho e começou a fugir das autoridades. Um ano depois já estava na lista do FBI das 10 pessoas mais procuradas dos Estados Unidos e foi detido, ainda nesse ano, numa operação stop nos arredores de Las Vegas.
Cartaz do FBI sobre Warren Jeffs. O líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi detido a 28 de agosto numa operação stop nos arredores de Las Vegas (Federal Bureau of Investigation via Getty Images)
Em 2008, as autoridades do Texas receberam uma chamada alegadamente de uma menor que dizia estar casada com um homem mais velho, de quem tinha um filho e decidiram fazer um raid à “terra de refúgio”, para onde Warren Jeffs tinha enviado parte da comunidade da igreja anos antes e que ficaria conhecido por “Yearning for Zion Ranch”.
“Receberam um telefonema falso de uma pessoa que nem sequer estava lá e entraram e levaram todas as crianças das mães e separaram toda a gente. Foi uma altura muito dolorosa. As crianças ficaram separadas das mães e das famílias durante quatro meses. Foi uma grande confusão”, afirma Rachel que, apesar de ter estado no rancho no dia da rusga, foi recebendo notícias dos irmãos que estavam sob custódia do Estado e que lhe ligavam em segredo. “Eles deviam ter ido lá e investigado os homens, não teria sido tão doloroso para o resto das pessoas. Sinceramente acho que eles se arrependem do modo como lidaram com tudo. Magoou muitas pessoas. Ao mesmo tempo, fiquei agradecida que os casamentos com menores pararam depois disso, mas foi uma época muito dolorosa.”
A verdade é que foi graças a provas recolhidas durante esta incursão que as autoridades acusaram Warren Jeffs de abuso sexual de menores. O julgamento teve início em julho de 2011 e Warren Jeffs foi acusado de abuso sexual de duas das suas mulheres, uma de 12 anos e outra de 15 anos.
“Uma das esposas do Avô Rulon, Rebecca Musser (tinha deixado a igreja depois da sua morte porque o pai insistira para que ela casasse outra vez e ela não queria), testemunhou acerca do papel das mulheres na FLDS e disse ao tribunal que a sua salvação, de acordo com a igreja, vinha de se submeterem aos maridos.
Mas foi a forma cuidadosa como o pai tinha mantido registos da sua própria vida que permitiram ao Estado constituir um caso. A acusação só teve de ler o que o pai tinha escrito ou instruído outros a escrever por ele, incluindo descrições dos ataques às suas esposas. Durante alguns destes recitais muito gráficos, o pai objetou repetidas vezes, invocando o Senhor com frequência. Até havia uma cassete de áudio de uma hora em que o pai dava instruções a um «quórum de doze senhoras» sobre fazerem sexo em grupo. Por fim, um perito em ADN confirmou que o pai tinha concebido um filho com a esposa de 15 anos. Outro registo provava o abuso à mulher de 12 anos, no qual ele a tratava pelo nome.
Até havia uma cassete de áudio de uma hora em que o pai dava instruções a um «quórum de doze senhoras» sobre fazerem sexo em grupo. Por fim, um perito em ADN confirmou que o pai tinha concebido um filho com a esposa de 15 anos. Outro registo provava o abuso à mulher de 12 anos, no qual ele a tratava pelo nome.
O pai não tinha grande forma de se defender. A sua única testemunha era um membro da igreja que não ajudou o pai em nada. O júri levou quatro horas a dá-lo como culpado de ambas as acusações.
A fase do julgamento em que se decidiu a sentença trouxe a lume um monte de nova informação acerca das 78 mulheres do Pai, muitas das quais tinham sido esposas do Avô antes de ele morrer – mães do Pai, por outras palavras – e quase um terço delas menores. O Estado também apresentou provas de todos os casamentos polígamos que ele tinha celebrado, das famílias que tinha desfeito, dos homens que mandara embora e de abusos sexuais adicionais a crianças, incluindo as suas próprias noivas menores. (O Estado não sabia nada acerca da relação do Pai comigo. Ele não mantinha registos disso.) O Pai escolheu não estar no tribunal durante esta parte, portanto deixou a sua defesa ao cuidado do advogado de reserva enquanto esperava numa sala do outro lado do corredor acompanhado de um guarda.
A 9 de Agosto de 2011, o júri levou menos de uma hora a voltar à sala com uma sentença: prisão perpétua.”
A condenação, contudo, não fez com que Warren Jeffs perdesse o controlo da igreja. Bem pelo contrário: continuou a enviar mensagens com as revelações de Deus onde eram dadas instruções cada vez mais rigorosas. As pessoas passaram a ter de começar a vestir-se pelo lado direito, só depois passando para o lado esquerdo. O riso passou a ser considerado pecado, deixaram de poder comer certo tipo de alimentos como leite, batatas, cebolas e alho e tinham de beber um copo de dois decilitros de água de meia em meia hora.
Foi também nesta altura que Warren começou a separar as crianças dos seus pais, acusando-os de crimes sem fundamento. Rachel não foi exceção. O pai acusou-a de ter tido relações sexuais com o seu marido quando estava grávida e foram ambos afastados dos filhos. “Como nunca o fizemos, porque o meu marido é muito obediente das regras da igreja, e nunca iria confessar o crime porque não o tinha cometido, ele não me deixava estar com os meus filhos durante muito tempo. Enganava-me para eu pensar que seria apenas uma semana, mas depois eram meses e meses. Foi provavelmente a época mais difícil da minha vida, eu não consigo viver sem os meus filhos.”
Rachel com os cinco filhos, em 2013
Estar separada dos filhos foi a gota de água e Rachel decidiu abandonar a igreja. Uma decisão que diz não ter tomado mais cedo porque sabia que “iria perder o amor” da sua família para sempre no dia em que partisse definitivamente. “Foi a decisão mais difícil que eu sabia que tinha de tomar pelos meus filhos. Eu já tinha decidido que queria sair meses antes, mas queria falar com o meu marido primeiro. Queria ter a oportunidade de falar com ele, mas percebi que não ia ter essa possibilidade. Quando o meu pai decidiu que eu tinha de ir viver com o meu tio Lyle — ele não era muito boa pessoa — decidi que tinha de me ir embora naquele dia.”
31 de dezembro de 2014 foi o último dia de Rachel na igreja. Na véspera, duas das irmãs, que tinham saído da igreja meses antes e que estavam a viver com os seus avós maternos que não faziam parte da comunidade — as mães de Angela, Becky e Rachel eram irmãs e ambas casaram com Warren Jeffs –, foram buscar os filhos de Rachel, que ficou para trás para arrumar as suas coisas.
“Às nove já era noite cerrada e eu telefonei à Angela.
– Podes vir buscar-me? Estou pronta. Não me parece que esteja alguém a vigiar agora.
Os guardas do Lyle costumavam trabalhar 24 horas por dia mas naquela altura não via nenhum deles de serviço.
Levei todos os sacos que empacotara lá para baixo, pu-los junto à porta da frente e sai lá para fora para esperar. Havia uma nota afixada na porta. Reconheci a letra do Lyle:
– Rachel, por favor, não vás embora. Podes viver onde quiseres.
Ri-me alto. Há 36 horas que não dormia, tinha os nervos em franja por causa dos ataques violentos e constantes daquele dia e agora ele dizia-me que eu podia decidir o que queria se ficasse?
Depois do que me fizeram passar? Não me parece.
Trouxe tudo para junto do portão para esperar. Estava a tremer ao frio do final de Dezembro. Apesar do tom conciliatório do bilhete do Lyle, o medo de ser descoberta fez-me tremer ainda mais. Não sabia quando voltariam os guardas, mas tinha a certeza de que o fariam.
Despacha-te, Angela! Despacha-te!, pensava enquanto esperava junto aos meus sacos.
Passaram várias pick-up, levando-me a agachar com medo que fossem os seguranças para me buscar. Quando continuavam sem parar, mais do que alívio, eu sentia apenas uma pausa no sentimento de terror que me acompanhava desde a noite anterior.
Não sei que milagre esvaziou as estradas quando a minha irmã estacionou por fim na curva em frente da minha casa, mas não havia ninguém por perto para nos ver quando enchemos a bagageira do carro com os pertences da minha família e arrancámos de Short Creek pela última vez.”
Ao fim de 31 anos, Rachel estava por fim longe da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. “Fiquei chocada com o quão livre me sentia, quase que me sentia culpada por estar feliz. É difícil descrever a felicidade que sentia por estar livre e, ao mesmo tempo, a dor que sentia porque sabia que a minha família estava a dizer coisas terríveis sobre mim e a acreditar em todas as mentiras que o meu pai lhes dizia sobre mim.”
Mas nem por isso o pai a deixou em paz. Os seus tios tentaram por várias vezes entregar-lhe mensagens de Warren, algo que só acabou depois de Rachel falar com o FBI e contar o que se estava a passar.
Rachel teve de começar a sua vida do zero com os cinco filhos: Ember (Warren Jeffs, que dava os nomes às crianças, batizou-a de Barbara), Majasa (Martha), Rulon, Lavinder e Nathaniel. Começou a dar aulas de violino para se poder sustentar e foi para a universidade durante um ano para melhorar a sua escrita. “Foi muito difícil. Chorei muito, mas valeu a pena para ser livre. Os meus filhos puderam ir à escola e ter uma educação. Havia tantas coisas novas para fazer e para ver.” As cinco crianças também se adaptaram rapidamente à nova realidade. A única coisa que lhes custa, segundo Rachel, é não terem contacto com o pai, que nunca os procurou depois de terem saído da igreja.
Rachel com os cinco filhos, em 2017
Depois de três meses a viver com os avós, Rachel mudou-se para o estado de Montana e atualmente vive com o marido Brandon, também ele ex-membro da igreja, no Idaho, onde trabalha como professora de violino e fotógrafa. O primeiro filho em comum do casal vai nascer em julho.
E apesar de tudo o que passou, a sua fé em Deus não ficou abalada. O mesmo não se pode dizer em relação às instituições. “Não vou a nenhuma igreja, porque tenho dificuldade em confiar neles, depois de tudo o que o meu pai fez, mas rezo e falo aos filhos sobre Cristo. Acima de tudo acreditamos em Cristo e em Deus, mas não seguimos ninguém nem uma igreja em particular. Rezamos, lemos a Bíblia e é isso.”
Regressar à igreja nem sequer lhe passa pela cabeça: “Nem nos meus piores dias aqui quis voltar para a igreja. A única coisa de que tenho saudades é da minha família, os meus irmãos e irmãs. Gostava que eles saíssem, mas tirando isso, não sinto falta da cultura.”


observador.pt

31.03.18

O FUTEBOL É ISTO ! - “Chamei o jogador encarregado da cobrança, Miguel Marçalo, e mandei-o falhar, propositadamente, o penálti.


antonio garrochinho


Opinião de: Filipe Pardal
Pela primeira vez neste meu espaço vou falar de futebol. Mas é de futebol puro, não é daquele assente em e-mails estranhos, transferências bancárias duvidosas ou desvios ditatoriais grosseiros.
O jogo de que quero falar opôs as equipas de juvenis do Sport Clube Mineiro Aljustrelense e do Futebol Clube de Serpa. Dois emblemas alentejanos. Com uma realidade precária no que diz respeito à organização das competições distritais, acabou por não ser nomeado árbitro oficial para o encontro. De acordo com os regulamentos, isso obriga a que seja um voluntário das bancadas a dirigir a partida, neste caso, foi um adepto da equipa da casa, o Mineiro.
O que se passou a seguir foi contado pelo treinador do Mineiro, João Candeias, ao Diário do Alentejo. “O jogo ia a meio da primeira parte, com o resultado em branco, e o juiz de recurso assinalou uma grande penalidade a favor da minha equipa, num lance que não vi, mas que suscitou muitas dúvidas e muita contestação no banco do adversário”. A solução encontrada pelo mister foi surpreendente: “Chamei o jogador encarregado da cobrança, Miguel Marçalo, e mandei-o falhar, propositadamente, o penálti. Estávamos muito confiantes que ganharíamos o jogo sem necessidade de um possível golo que tanta polémica estava a gerar”. O Miguel acatou e compreendeu a minha decisão, falhou a marcação da grande penalidade e partimos, novamente, do zero, mas no final conseguimos a vitória, que foi o mais importante, a par da educação dos jogadores”.
O futebol é isto. A formação é isto. O desporto é isto. Os valores estão sempre acima de qualquer resultado. Esta história é revigorante num país em que o futebol tem tido, cada vez mais, uma conotação tão negativa, repleta de ódio e falta de civismo.
Porque é que você ainda não sabia desta história? Porque são duas equipas alentejanas, porque é um escalão de tenras idades. As notícias de futebol juvenil nascem e morrem quando pais se insultam e agridem nas bancadas enquanto assistem os filhos a jogar num Benfica x Sporting ou vice versa. Felizmente há mais do que isso. Felizmente houve João Candeias e Miguel Marçalo.
A atitude fala por si, este texto pretende ajudar a que esta história seja conhecida porque realmente merece que seja.
Os clubes pequenos são os verdadeiros grandes, quando os grandes se continuam a comportar como pequenos.


darcordaaosdomingos.wordpress.com